Correio do Minho

Braga,

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A dimensão humana do talento do futuro é uma vantagem competitiva!

Cansaço psicológico

Ideias

2019-03-17 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

A Universidade Católica ao colocar “O Talento para o Futuro”, como mote do seu Open Day, e centrando-o num conjunto de interrogações e desafios em torno da sua preparação, provocou uma vasta e participada reflexão na região e no País. Uma reflexão sobre os desafios dos seus diplomados, e sobre o papel da Universidade Católica no quadro da formação dos talentos e dos profissionais, cientistas e pensadores, no horizonte temporal de 2030. Criando um envolvimento interno e externo, cujo impacto se fará sentir de forma positiva na comunidade académica e no meio social, ao nível da sua imagem externa, e da participação dos docentes, investigadores e dos seus estudantes.

Foram abordados problemas complexos e desafios, de grande densidade concetual e organizacional. Comuns a todo o sistema de ensino superior, para os quais as Universidades e Institutos Politécnicos pretendem encontrar respostas pragmáticas e estratégicas, num contexto de incerteza, ebulição e mudança. Um mundo que se antevê cada vez menos regulamentado, e cada vez mais concentrado na inovação e na competitividade, em que as organizações são mais tecnológicas, e têm cada vez menos colaboradores. Eliminam níveis hierárquicos e criam uma série de políticas inovadoras, para incentivar a diversidade e a especialização, com o propósito de localizar, atrair e construir talentos de forma mais competitiva e disruptiva.

No livro The War for Talent (1997), um estudo inovador da McKinsey & Company, Helen Handfield-Jones e Beth Axelrod, consideram o talento como a “a alavanca de desempenho de uma organização, e que o seu sucesso depende, principalmente, da sua capacidade para atrair, motivar e reter os melhores profissionais”. Vinte anos depois, embora as tendências e os modelos tenham mudado, o talento está a reconfigurar a economia global, e é considerado uma prioridades crucial para as organizações políticas, sociais, culturais, educativas e empresariais. Na mesma linha, Vahé Torossian, vice-presidente da Microsoft, defendeu em relação à dimensão humana dos negócios, que a diversidade, a inclusão e a ética, são a base de uma transformação digital bem sucedida, no mercado globalizado.

Neste sentido, tal como temos vindo a defender, o futuro do trabalho será sustentado pela capacidade das empresas e, sobretudo as pessoas, de abraçarem a tecnologia e saberem tirar partido dela para trabalhar melhor, de forma mais inteligente e, simultaneamente, mais humana. Talentos dotados das competências tecnológicas adequadas aos novos tempos, mas abertos, críticos e empreendedores. Sendo o pensamento crítico, neste novo contexto, a avaliação consciente, deliberada e racional das nossas decisões. Uma visão emergente em que conhecimento é visto, justamente como a maior activo do mercado de trabalho, como fonte de poder, de liderança e de influência social e política, confirmando com atualidade que ”os novos impérios serão os impérios da mente”, tal como vaticinava Winston Churchill, a propósito da reconstrução e do futuro da sociedade internacional, na sequência da segunda guerra mundial. Num futuro muito próximo, mais de um terço das competências, aproximadamente 35%, que atualmente são mais valorizadas no mercado do trabalho, deixarão de ser relevantes para reter ou atrair talento pelas empresas. Serão substituídas pela robótica avançada, pela inteligência artificial (IA) e pela machine learning, aplicada à construção automática de novos modelos analíticos.

Gerd Leonhard, um pensador da era digital, que estudou teologia e ciências sociais, autor do livro “Tecnologia versus Humanidade – O confronto futuro entre a máquina e o homem”, defende que “o nosso mundo está a entrar num período de alterações futuras, em que muitos de nós seremos surpreendidos pela dimensão e velocidade dos acontecimentos, que simplesmente não previmos. Nesta nova mundividência, a evolução tecnológica assentará em pressupostos diferentes, podendo dar origem a “sociedade distópica, orquestrada e supervisionada por supercomputadores, máquinas e algoritmos, ciborgues e robôs”, onde o humanos poderão correr o risco de “serem secundarizados, numa sociedade desumanizada”.

Perante este cenário, que apesar de nos parece hiperbolizado, não podemos facilitar. Tal como afirma o Prof. Carlos Brito da Porto Business School, “o capital e as tecnologias são essenciais para a competitividade da economia, mas convém não menosprezar as ciências sociais ”, defendendo mesmo que, a dimensão humana da ciência e da tecnologia é, e “vai continuar a ser uma vantagem competitiva”. O desenvolvimento da tecnologia e das ciências naturais, devem continuar a ser uma aposta firme. Mas as ciências sociais e as humanidades, deverão ser o seu contraponto. Pelo que a aposta nestas áreas de formação e investigação científica, não podem abrandar. Pelo contrário, devem ser valorizadas e atualizadas, fazendo jus e guardando fidelidade à nossa formação humanista de matriz greco-latina, criando conexões científicas e pedagógicas, com a inovação tecnológica.

Com as novas oportunidades, surgem enormes novas responsabilidades. E, nesta perspetiva, a Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga e o grupo empresarial bracarense DST assinaram, na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, um protocolo para o lançamento de uma Pós-graduação "Das Humanidades à liderança: formação humana de quadros superiores", para preparar os engenheiros e os economistas para serem mais competentes, competitivos, humanos e justos. Afirmando, o CEO da DST, José Teixeira, que a bagagem humanística que a faculdade trará aos estudantes do curso, complementará perfeitamente a sua formação. Um excelente sinal e um magnífico exemplo, deste grande grupo empresarial e da Universidade Católica, que devemos acompanhar, porque o “Talento do Futuro”, já é uma vantagem competitiva.

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