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À dúzia

O Estado desta Nação

À dúzia

Ideias

2022-03-10 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

As presidenciais francesas têm 12 candidatos, bíblica cifra de apóstolos para um anti-cristo, porque em torno de Putin e das desgraceiras por ele provocadas rodam em boa parte os discursos.
O grande evento de segunda-feira foi a estreia oficial de Macron. Nada de grandioso, uma assembleia consensual de duzentos fiéis, escolhidos e convidados com critério pelo Maire de Poissy. Uma alocução genérica em tom professoral e depois perguntas sem rasteira para pronto-a-responder. Tudo encenado, com guião, como a imprensa revelaria.
Por si dito, Macron não protagonizará grandes jornadas, que candidato será nos poucos que possa, que assim exige o momento. E debates? Nem vê-los! Um, quando muito, à altura da segunda volta.
No domingo, em Toulon, deu-se a aguardada adesão de Marion Le Pen à campanha de Zemmour. Não ao partido de Zemmour, que daqui até às legislativas avançará Marion com estrutura política autónoma, supostamente em íntima aliança com o Reconquête. E curiosa se me faz a combinação, em que tão uninominais sejam os partidos por estas bandas, em pano de fundo de cultura que tanto publica em matéria de ideias e de filosofia política.
Viverá a França segundo o princípio de que suplante o Homem a Ideia, que prevaleça o indivíduo sobre o colectivo? De forma bem ornamentada, não se servirão os franceses de travessa idêntica à russa, isto é, de um sucedâneo vegan de autocracia? Será só uma questão de molho, de finura de etiqueta: autocracia molecular!
Não levo, como é evidente, a comparação às últimas consequências. Porém, se não estipulo uma igualdade absoluta, justo me parece salientar que pouco sadias se nos possam afigurar as nossas sólidas democra- cias.
Já que à Bíblia fui, ao Antigo Testamento peço emprestada a pedra de fecho. Abel era bom, Caim era mau. A história é conhecida. Virado do avesso, Caim assassinou o seu pacífico irmão, numa espécie de repetição na Terra das invejas jogadas no Céu. Bem de um lado, Mal do oposto. História que só fica bem contada se em cada um de nós não coexistir um tanto de um, um tanto de outro. Isto de atirar pedras é muito complicado.

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