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A economia circular: uma oportunidade de valor social sustentável

Cansaço psicológico

A economia circular: uma oportunidade de valor social sustentável

Ideias

2020-03-01 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Nos últimos tempos, por razões de natureza académica e profissional, tenho estado em contacto com algumas megatendências incontornáveis, com que estamos confrontados à escala mundial. Num contexto em que as fronteiras do tempo, entre o presente e o futuro são cada vez menos percetíveis, e que balançam entre as certezas e as crescentes incertezas, que estão a envolver todo o ecossistema político, social, cultural, económico e académico. Desafios e problemas para que estamos todos a ser chamados, a encontrar as melhores respostas e soluções de curto, médio e longo prazo e de elevado sentido estratégico centrado no pensamento global.
Temáticas que, tendencialmente, se sintetizam em buzzwords encimadas pela internacionalização, inovação, digitalização, pela criatividade e, sobretudo, pela sustentabilidade e economia circular. Uma dinâmica centrada na procura de novas respostas e modelos, que estão dependentes da assertividade das políticas públicas, da liderança das organizações públicas e privadas, da simplificação dos processos de organização, dos resultados investigação científica, da eficácia da transferência de conhecimento e tecnologia para o ecossistema produtivo, do desenvolvimento da inteligência artificial e da evolução da especialização inteligente.
A economia mundial tem sido construída com base num modelo linear de negócios, que agora está sob ameaça por causa da disponibilidade limitada de recursos naturais. A verdade é que, a forma e a velocidade com que usamos os recursos naturais são insustentáveis, consumimos mais recursos do que o que planeta consegue produzir. Um desafio que requer um enquadramento social e institucional, baseado em incentivos e valores, e representa um estímulo à criatividade na redução de custos, fomenta a criação de emprego e implica uma mudança de mentalidade das pessoas, com as pessoas e para numa redução dos impactos ambientais e sociais para as pessoas. Em dezembro de 2012, a Comissão Europeia publicou, a este respeito, um documento intitulado "Manifesto para uma Europa Eficiente de Recursos”, no qual se refere com muita clareza que “... num mundo com crescentes pressões sobre os recursos e o ambiente, a UE não tem escolha a não ser ir para a transição para uma economia circular eficiente dos recursos. Neste propósito, a transição de um modelo linear de produção de bens, com base na extração de matéria-prima, produção, uso e descarte dos produtos, para um modelo circular, onde os mate-riais são devolvidos ao ciclo produtivo através da reutilização, recuperação e reciclagem”.
Neste contexto assistimos, atualmente, a uma mudança estruturante de paradigma socioeconómico, da economia linear para um novo modelo de produção e consumo, fundado na sustentabilidade pelo que em pretender ser exaustivo, vou centrar a minha breve reflexão na economia circular. A economia circular emerge do historial de medidas de incentivo à mudança de paradigma económico assente na erosão de capital natural, para um sistema restaurador e regenerativo, procurando preservar a utilidade e valor dos recursos materiais e energéticos, salvaguardando os ecossistemas, o capital financeiro das empresas e o bem-estar social. O motor desta transição assenta no incentivo e desenvolvimento de modelos de negócio, estratégias colaborativas, produtos e serviços centrados no uso eficiente de recursos. Desde as reduções na importação de matérias-primas ao contributo direto para objetivos ambientais internacionais para melhorar a competitividade da economia. Gerando iniciativas com forte potencial de exportação e impacto local, através da criação de  instrumentos políticos que promovam o uso eficiente dos recursos. Produzindo conhecimento sobre as melhores práticas, casos de estudo, oportunidades de financiamento, e promovendo o desenvolvimento de modo a valorizar iniciativas que contribuam de modo efetivo, nomeadamente, através de projetos setoriais e intersectoriais nesta matéria.
A Economia Circular ultrapassa o âmbito e foco estrito das ações de gestão de resíduos e de reciclagem, visando uma ação mais ampla, desde o redesenho de processos, produtos e novos modelos de negócio até à otimização da utilização de recursos. Visa assim o desenvolvimento de novos produtos e serviços economicamente viáveis e ecologicamente eficientes, radicados em ciclos idealmente perpétuos de reconversão. Numa conjugação de esforços de uma multiplicidade de atores, incluindo as organizações não-governamentais, o setor empresarial privado, as instituições de ensino superior, os parceiros sociais e restantes membros da sociedade civil.
A governança e o território, nomeadamente o metabolismo urbano e regional, a consciencialização, o desenvolvimento de competências e de ferramentas, constituirão a base para que a EC deixe de ser apenas uma buzzword, e passe a ser uma prática global e uma aposta da sociedade. Nesta perspetiva, uma nova dinâmica deverá ser adotada pelo nosso país, em que esta mudança representa, na sua plenitude, uma oportunidade de valor social sustentável

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