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A economia da longevidade e o paradoxo do empreendedorismo social

A Europa e o futuro

A economia da longevidade e o paradoxo do empreendedorismo social

Ideias

2020-01-19 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

O envelhecimento da população e as suas repercussões nos modelos de desenvolvimento económico, é um assunto que merece uma reflexão cuidada, pela sua atualidade e, sobretudo, pela preocupação crescente em relação a esta problemática/oportunidade. Uma situação paradoxal, que confronta a melhoria da qualidade de vida e o aumento da esperança de vida, com os modelos de desenvolvimento económico e de organização social, e com a preparação das futuras gerações, para lidarem com sociedades cada vez mais envelhecidas. Uma nova realidade, em que a economia da longevidade, é considerada como “o maior mercado do século XXI”, e a terceira área mais estratégica da economia mundial.
Países como a China, Japão, Austrália, Holanda, França e Irlanda já possuem, a este nível, uma estratégia de desenvolvimento da economia da longevidade, assumindo-a como um dos pilares estratégicos do crescimento do PIB. Sendo considerada pela União Europeia como uma das áreas onde os estados membros mais devem investir, dado o impacto que tem no PIB, tanto no déficit como na geração de receitas. Realidade, que apesar das suas virtualidades e as oportunidades de trabalho para os jovens, confronta as potencialidade de negócio da economia da longevidade, as dinâmicas de desenvolvimento local e a sustentabilidade do empreendedorismo social.
Uma economia social geradora de emprego, assente nas instituições de solidariedade social, cooperativas, associações mutualistas, fundações, movimentos associativos populares e empresas de inserção, que visam atender às necessidades sociais e financeiras das populações. Organizações da sociedade civil que assumem funções de respostas às necessidades sociais a partir da solidariedade local, autoajuda e ajuda mútua, que lutam pela sustentabilidade com base na afirmação das suas pautas sociais e na afirmação da sua legitimidade, no espaço público do terceiro setor. Os jovens podem estar preparados para herdar o futuro, mas agora é o envelhecimento da população que está a definir o nosso tempo.
O seu desenvolvimento coincidiu com a deslocação de projetos para iniciativas comunitárias, resultante da ascensão da Nova Gestão Pública (New Public Management), que aprovou os princípios de mercado para a prestação de bens e serviços públicos e privatizou muitos desses serviços. Será necessária uma variedade maior de serviços e produtos. Além das indústrias mais óbvias, como o turismo, habitação e saúde, o entretenimento, assistentes inteligentes, e-commerce, sistemas de telepresença e de realidade aumentada, são segmentos do mercado com potencial para acrescentar dezenas de milhares de milhões de euros anuais à economia.
No nosso país, concretamente, existe cada vez mais a necessidade de uma evolução cultural face ao envelhecimento populacional, tendo sido criada a Lei de Bases da Economia Social, para este efeito. Esta iniciativa veio capacitar as entidades da economia social dos instrumentos essenciais para desenvolver outras iniciativas para além das áreas tradicionais de atuação, permitindo a inovação e o empreendedorismo e o reforço do potencial de crescimento. O desafio consiste em garantir que este novo ciclo da economia social possa assentar em alicerces mais sólidos e sustentáveis do ponto de vista económico-financeiro, e que sejam salvaguardados os esforços e os progressos alcançados.
No entanto, a população não está apenas a envelhecer. As pessoas vivem mais tempo e aumentam o seu "ciclo de vida" com melhor saúde. À medida que a população sénior aumenta, também cresce um grupo de consumidores, trabalhadores e inovadores, com vidas mais saudáveis para participar ativamente na economia global, e transformar a longevidade num ativo para a sociedade. Criando respostas sociais compatíveis com as necessidades das populações, das instituições de solidariedade ao reconhecimento e sustentabilidade do setor social. Uma dinâmica que exige a formulação de alternativas à produção de bens e serviços sociais, que exigem um acordo e uma parceria de responsabilidades, entre o Estado e a sociedade.
O empreendedorismo e a economia social devem ser incrementados pela sua capacidade de responder às necessidades emergentes e aos novos desafios sociais, neste contexto, marcado por transformações socioeconómicas tão profundas. Apesar dos avanços registados neste âmbito, emerge a necessidade de criar fontes de financiamento e recursos. Os empreendedores estão confrontados com uma concorrência desigual em meios e condições de mercado, que não deve ser negligenciado pelo Estado, em face da crescente expressividade e impacto na sociedade atual das organizações do terceiro setor, em Portugal.

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