Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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A Entrevista de Passos Coelho

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2014-04-19 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Afirmei há quinze dias, neste jornal que a entrevista do Secretário de Estado da Administração Pública não havia sido um ato falhado ou uma precipitação. O Secretário de Estado não é nenhum “anjinho”, desempenhando o papel de que o incumbiram. Testava a resistência dos portugueses a mais um corte, travestido da reforma do Estado e do sistema de pensões. Afinal, assim o exigiria a Troika.

Passos Coelho foi claro, ao afirmar que “a actualização das pensões não pode deixar de estar indexada a aspectos da demografia, ou ao ritmo do crescimento da nossa economia”. Quer dizer, o montante de pensões não irá resultar do montante de descontos para a Segurança Social ou para a Caixa Geral de Aposentações. Esses descontos serão agora considerados impostos a acrescer ao IRS. Quem quer mais que tivesse feito seguro, ou faça para o futuro.

Quanto ao resto, os cortes imediatos serão nas “gorduras do Estado”. Mas, quais são essas gorduras? Serão as parcerias público-privadas, as rendas para os grandes grupos económicos, as consultadorias, a duplicação de serviços e organismos, os subsídios…? Passos Coelho nada diz, como se o país fosse um rebanho de carneiros. E não diz porque estão à porta as eleições europeias, que podem não ser muito importantes, mas que podem significar um duro golpe na legitimidade deste executivo.

Passos Coelho mente aos portugueses, adiando o anúncio das medidas de austeridade para depois das eleições. A seguir virá o pior para se anunciar a saída da crise lá para 2015/2016. E se o povo for “agradecido” votará novamente na coligação de direita que “nos salvou da bancarrota”. E os culpados serão os socialistas que atiraram o país para esta desgraça.

Mas será que o povo acredita nesta demagogia? O governo pretende recriar um fenómeno muito comum em processos eleitorais. Os eleitos tendem a esqueceras políticas mais remotas que os prejudicaram, votando nos partidos do governo que aumentaram os benefícios no período imediatamente anterior às eleições; acredita que esses benefícios continuarão para além das eleições. E é por isso que o Primeiro-Ministro anuncia o fim da crise para 2015/2016, assumindo com toda a desfaçatez que continuará a governar um segundo mandato.

A cultura política portuguesa de dependência do Estado, a morte e o desânimo dos velhos, a emigração dos jovens e o fenómeno muito estudado de que os militantes partidários não agem racionalmente, tendendo desvalorizar a má performance do seu partido, pode ter consequências catastróficas para o futuro do país.

A propagando do governo e a falta de escrúpulos farão o resto.
Mais um mandato e teremos terminada a reengenharia do Estado. Como diz a direita, o país entrará finalmente nos eixos, depois da confusão do 25 de Abril de 1974. Passos Coelho será o salvador da pátria, um novo Salazar depois da bagunça da República.

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