Correio do Minho

Braga,

A ESCA o teatro e Saramago

Escrever e falar bem Português

Voz às Escolas

2013-04-15 às 06h00

Hortense Lopes dos Santos

“Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez.”
José Saramago

Na IV mostra de teatro do ano transato, a Outrarte, Oficina de Teatro da Escola Secundária Carlos Amarante, levou à cena uma peça, adaptação do romance de José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira, onde sobressaía a cegueira do ser humano. Este ano, resolvemos manter o autor, escolhendo a obra Memorial do Convento. O desafio não podia ser maior: da falta de visão, passou-se ao excesso dela na personagem de Blimunda, que tem poderes; a falta de humanidade deu lugar ao amor, Sete-Luas para Sete-Sóis; a desesperança deu lugar ao sonho de voar. A opressão.

Essa, sim, mantém-se. A opressão dos poderosos sobre os mais fracos. A opressão de uma economia endémica que obriga ao êxodo dos mais válidos, que partem à procura de melhores condições de vida, fugindo da fome e da miséria. A falta de visão dos governantes, que colocam os interesses políticos e partidários à frente dos interesses dos seus governados, culpando-os de viver acima das suas possibilidades e condenando-os a empobrecer, sem qualquer respeito pela sua dignidade. A arrogância dos poderosos, insensíveis à desgraça alheia. O menosprezo pela ciência, pelo saber e pela cultura. Não podia ser mais atual.

Não se estranhe, por isso, o despojamento do cenário. O palco é ocupado pelos atores: os atores são os objetos, são os móveis, são as paredes, são a cama, a mesa e os bancos. A passarola voadora. São frades e condenados, trabalhadores e sindicalistas, blimundas e baltasares, jornalistas e narradores.
E era uma vez uma escola onde todos, sem exceção, colaboram para que a vida das pessoas seja melhor, apesar da crise que atravessamos. Obrigada, pois, à Direção, professores e funcionários, que tornaram possível este projeto.

E era uma vez uma Oficina de Teatro, a Outrarte, onde todos, sem exceção, fizeram das tripas coração para montar o espetáculo.
E era uma vez um grupo de alunos, tantos e tão lindos, que por amor ao teatro, faça frio, chova ou vento, são capazes de sacrificar algum do seu tempo livre, para se reunirem, após uma semana intensiva de trabalho, para viver a magia do teatro. Obrigada, outrartistas!»1
Esta é uma das atividades da ESCA que entusiasma toda a comunidade educativa.

Apesar das condições atmosféricas adversas, na manhã da última quarta-feira, o Theatro Circo teve lotação esgotada e não foi suficiente para acolher todos os interessados.
No final da apresentação, o público aplaudiu de pé, agradecendo o desempenho de todos os participantes.
Em nome da direção e da comunidade ESCA, a todos agradecemos o excelente trabalho.

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