Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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A Escola e a Avaliação Externa

Quem me dera voltar a ser Criança

Voz às Escolas

2014-06-05 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Aprestação de contas é um exercício salutar. Se assim não fosse tornar-se-ia bem mais difícil aferir os pontos fracos de qualquer organização e construir planos de melhoria, com vista à redefinição das estratégias implementadas, constituindo-se, deste modo, o processo avaliativo como um incentivo ao desenvolvimento de melhores práticas pedagógicas, essenciais ao sucesso educativo.
Não está, portanto, em causa, o direito que assiste à entidade tutelar de proceder, periodicamente, à verificação dos procedimentos, na prossecução de padrões de rigor e de excelência, tendo como principal objetivo promover o progresso das aprendizagens e dos resultados dos alunos, identificando pontos fortes e áreas prioritárias para a melhoria do trabalho das escolas, o que se operacionaliza através da realização de uma atividade dinamizada pela IGEC, designada de avaliação externa.
Segundo os normativos que regem todo o processo, “importa compreender a capacidade da escola em transmitir conhecimentos perante o grupo específico de alunos que a frequentam, partindo da análise dos resultados escolares enquadrados em “dados de contexto”, trabalho que é realizado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, tendo como base a informação recolhida através do sistema MISI”.
Reconhece-se, contudo, que a informação recolhida desta forma pouco pode contribuir para uma imagem suficientemente clara do contexto sociocultural e de ambiência, existindo muitos outros fatores que são determinantes para os resultados escolares dos alunos de uma determinada escola.
Optou-se, então, por um processo de agrupamento das escolas em 3 grandes grupos, a que se designou chamar clusters e, posteriormente, ao confronto, dentro de um mesmo cluster, das escolas com valores análogos, para o que foram tidas em conta as seguintes variáveis: níveis e diversidade da oferta formativa, escolaridade das mães e dos pais, proporção de alunos que beneficiam de apoio de ASE em cada um dos escalões. Estes clusters assumiram os nomes de três conhecidas constelações - Orion, Cassiopeia e Pegasus.”
E, assim, previamente à sujeição a um processo de avaliação externa, as escolas são informadas do seu enquadramento, tendo em conta as determinantes acima mencionadas, o que, embora não definindo, à partida, os níveis de classificação que lhe serão atribuídos, não deixa, de qualquer forma, de condicionar todo o processo, temos que o reconhecer.
Obviamente que a equipa inspetiva que se desloca às escolas tem um papel de primordial importância, e a sua predisposição para “viver” a escola durante o período de tempo em que a ação decorre é vital, tendo em conta que existe um mundo para além do da estatística que só poderá ser observado se os olhares forem especialmente atentos e críticos, extravasando a análise da “literatura” produzida pelas escolas e partindo ao encontro das práticas e das reais vivências das comunidades sobre as quais incide a ação inspetiva.
No entanto, rapidamente nos apercebemos que a metodologia de trabalho para a avaliação externa assenta, fundamentalmente, na análise dos documentos que as escolas enviam, previamente, e na análise da informação estatística resultante da recolha feita através do MISI, ou seja, quer queiramos quer não, a avaliação da escola é feita à distância, sendo residual a margem para alteração dos juízos preconcebidos, o que leva à emergência de sentimentos de frustração e mesmo de alguma revolta, tendo em conta o esforço e o investimento feitos no sentido de inverter os resultados, resultados esses que estão intimamente ligados a condicionantes que a escola não pode alterar.
Talvez devesse refrear um pouco este sentimento que de há um mês a esta parte me atormenta. Talvez devesse aguardar a chegada de um relatório, mas seja qual for o veredicto, sei que seria necessária uma análise mais “intimista” do trabalho que fazemos para que, embora conscientes de que ainda temos um longo caminho a percorrer, recebêssemos algum incentivo para não cruzar os braços.
Considerem estas letras como o desabafo de quem continua a sonhar a educação, quando talvez já estivesse na hora de aceitar que a escola de hoje não é grande musa e que a inspiração é inventada, a cada dia, para impedir que se instale a certeza de que os números, esses sim, são a única aposta, até porque cada vez mais nos vamos habituando a uma das mais simples operações aritméticas, a da subtração.
Mas para lá da matemática há um outro universo que não pode nem deve ser descurado, e acredito que podem coexistir em prol de um sucesso bem mais abrangente.

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