Correio do Minho

Braga, terça-feira

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A Escola e os Media

Regionalização e representação territorial

A Escola e os Media

Voz às Escolas

2019-03-14 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

O investimento no reforço e na priorização da educac?ão para a cidadania, uma das grandes apostas da atual política de mudança perseguida pelo Ministe?rio da Educac?a?o, assume-se como ferramenta de especial importância na preparação de cidadãos capazes de assumirem uma conduta ci?vica responsa?vel e assertiva, fazendo a diferenc?a numa sociedade em crise.
A Escola e? chamada a reconstruir-se, a redefinir algumas prioridades, ganhando a educação para a cidadania um espaço privilegiado, sem que, no entanto, os desafios lançados à Escola tivessem sido acompanhados de medidas facilitadoras da sua ação, num momento em que a sociedade, em geral, se debate com um boom de situações de agressividade e violência, evidenciado pelas imagens que nos chegam, e que, pela cobertura mediática, têm repercussões em casa e na escola.

A divulgação de situações que atentam contra os mais básicos direitos de qualquer ser humano é, sem dúvida, uma forma de trazer a nu o lado mais obscuro de uma sociedade que, pese embora o sucesso das revoluções em que investe, de que se realça a revolução tecnológica, continua a primar pelos exemplos de total atropelo em questões como a igualdade de direitos no acesso ao trabalho, à justa remuneração, a cuidados de saúde, à educação e à expressão de ideias.

Contudo, pela facilidade com que a informação chega e com a desproporcionalidade entre a cobertura que é dada ao crime e aquela que é dada à pena aplicada, quando o é, a quem infringe as regras, a tarefa da escola é fortemente condicionada, já que a falta de referências é o pior aliado na aposta na construção de uma sociedade mais humanizada.
Por isso, perante a discussão em torno da necessidade de rever as regras e a forma como são aplicadas, pergunto-me se o problema não deveria ser analisado a montante, reequacionando-se o investimento que tem vindo a ser feito para dotar a escola de mecanismos que lhe permitam colocar em prática medidas que contribuam para a consciencialização de que existe, efetivamente, uma consequência para as ações que atentam contra os direitos de qualquer ser humano.

A Escola pode, efetivamente, ter um papel de excelência para as mudanças que clamamos, não em resultado do mediatismo de alguns atentados, mas pela consciencialização de que a melhor forma de combater qualquer flagelo passa pela formação de cidadãos conscientes e responsáveis, o que, embora sendo um investimento a longo prazo, é, sem dúvida, o investimento com uma maior taxa de sucesso garantido.

Com tanta tinta a correr, talvez os holofotes devessem ser dirigidos para a necessidade de medidas estruturantes, sustentáveis, redefinindo-se os critérios de priorização dos apoios que são disponibilizados às escolas, desde logo a devolução do estatuto que há muito lhe foi retirado, coartando-a na implementação de medidas que previnam a reincidência em práticas que, no futuro, e já a uma outra escala, poderão potenciar atitudes que alimentarão as notícias que, cada vez com mais regularidade, nos surpreenderão.
Dificilmente se manterá em pé uma estrutura cujas bases tenham sido construídas com areia.

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