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A Escola em tempo de “guerra”

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A Escola em tempo de “guerra”

Voz às Escolas

2020-04-09 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Estamos em guerra, uma guerra em que o inimigo é invisível e usa poderosas armas, que desconhecemos, o que dificulta, quando não impossibilita, que o detenhamos.
Mas a diferença entre uma guerra e esta guerra não se confina, apenas, ao desconhecimento do inimigo nem à força das ferramentas que, com tanta exímia, usa para nos atingir, a diferença está no impacto da surpresa e na celeridade com que o inimigo ganha terreno.

E se em tempo de guerra devemos fechar-nos em casa, também nesta guerra a vitória depende da nossa capacidade de acatar o recolhimento “obrigatório”, evitando ficar reféns de um inimigo que ataca em silêncio, com a agravante de nos atingir, não só a nós, mas também a todos aqueles com quem lidamos de perto no nosso dia a dia.

Em qualquer guerra a Escola, instituição de primeira linha, em que o público alvo é o bem mais precioso de qualquer civilização, é afetada, em maior ou menor escala, pelo que é expectável que sofra as repercussões dos condicionalismos impostos em qualquer situação de guerra, mormente se estivermos a lidar com uma força invisível, que nos atinge na vulnerabilidade da condição de seres humanos, a quem, neste caso específico, nem os direitos constitucionalmente instituídos conseguem proteger.

Estamos em guerra, e a Escola lida com duas frentes de batalha – por um lado, a necessidade de, sem pré aviso e sem recursos, se reinventar, num tempo recorde, tentando, qual polvo, chegar a todo o lado, esquecendo que, no mundo de fachada em que vivemos, as assimetrias sociais são, ainda, uma dura realidade para alguns, o que nos remete para um exercício de reflexão mais abrangente – como pode a Escola apostar na inovação e na mudança, investindo em práticas de busca do conhecimento, quando uma percentagem elevada de alunos não dispõe dos meios mais rudimentares de acesso à informação?

Por outro lado, a necessidade de definir caminhos num cenário de incertezas, em que os media antecipam um futuro, colocando um grande ponto de interrogação quanto à validade do esforço acrescido que estamos a fazer, neste momento, para enfrentar um final de ano letivo absolutamente “anormal”, em que, não sejamos ainda mais naïfs, os constrangimentos de fundo detetados em 15 dias de experiência dificilmente estarão ultrapassados, redundando na ostracização de muitos dos nossos alunos.

Estamos perante constrangimentos que decorrem não só da falta de ferramentas mas, também, da falta de retaguarda familiar, numa sociedade que se habituou a contar com a escola para solucionar todos os problemas e que, na atual conjuntura, se vê confrontada com uma realidade que desconhecia – filhos a tempo inteiro, o que potencia o facilitismo, com graves repercussões no sucesso do esforço da Escola, sobretudo em tempo de guerra.

Mais do que nunca, a Escola e a Família têm que trabalhar para, em conjunto, assumindo cada uma as suas responsabilidades, enfrentarem as dificuldades decorrentes de uma situação que nos apanhou, a todos, desprevenidos, e que só não terá efeitos mais nocivos se soubermos ser tolerantes e recetivos a participar, construtivamente, conscientes de que estamos todos a adaptar-nos a uma situação que desejamos, seja transitória.

Aproveitemos o tempo que ganhámos com o afastamento físico da Escola para refletirmos sobre a vulnerabilidade da vida, sobre a razoabilidade das opções estratégicas que têm sido tomadas, sobre a importância do exercício de uma cidadania responsável, sobre o valor dos sentimentos e da família, e façamo-lo com os nossos filhos e netos, para que, passada toda esta tormenta, possamos regressar fortalecidos e mais humanos, para que tanto sofrimento não tenha sido em vão.

Mas, entretanto, não desprezemos os factos - evitemos sair de casa, para que a cada dia se vença uma batalha da guerra que travamos e que, tenho Fé, venceremos.

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