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A escola no pós-pandemia

Mundo imaginário

A escola no pós-pandemia

Voz às Escolas

2021-06-23 às 06h00

Manuel Vitorino Manuel Vitorino

Na construção de cenários prospectivos sobre a escola no pós-pandemia emerge uma ideia fundamental: nada será como antes. Os períodos de confinamento vividos funcionaram como catalisador da mudança. O ensino à distância desencadeou novas abordagens pedagógicas de ensino e de aprendizagem. Apesar dos constrangimentos que possamos apontar, foi criado um lastro digital para a transformação dos ambientes educativos.
Neste âmbito, pequenas mudanças já ocorreram, por exemplo, verbalizar que estamos a fazer uma formação à distância deixou de ser uma menorização da qualidade da formação. A retórica de que não é possível avaliar com rigor à distância sucumbirá à mudança avassaladora das práticas, que mais tarde ou mais cedo chegará. Já não falaremos do paradigma de avaliação centrado exclusivamente em testes mas numa alteração profunda do que é a avaliação pedagógica, comprometida em primeira instância, com a avaliação para as aprendizagens.
Sem futurismos ficcionados, primeiro de tudo, importa recentrar a nossa ação no essencial: assegurar educação de qualidade para todos, num quadro de equidade e inlcusão.
O farol desta ação é o Perfil dos Alunos à Saída da escolaridade Obrigatória (PASEO), documento que apresenta uma visão e conceção estratégica e capacitadora da educação, que consensualiza um conjunto de valores assumidos pela sociedade portuguesa, e estabelece a matriz de princípios, valores e áreas de competências-chave a que deve obedecer o desenvolvimento do currículo. O PASEO está alinhado com os referenciais das políticas educativas desenvolvidas por organizações internacionais (UE, OCDE, UNESCO), complementados com outros de organizações privadas (e.g. Fórum Económico Mundial, Partnership for 21st century skills…).
Neste enquadramento, teremos que saber que recursos precisamos mobilizar e quais são aqueles de que efetivamente podemos dispor. Destaco os seguintes:
i) Impõe-se a massificação tecnológica (apetrechar as escolas/alunos com computadores e outros dispositivos electrónicos), que por sua vez implica, a priori, o reforço infraestrutural de redes (eléctricas e fibra óptica);
ii) Investir na capacitação digital dos docentes é relevante para a designada transição digital que se pretende, e sobretudo para a formação dos nativos digitais, enredados nos algoritmos das redes sociais mas maioritariamente sem competências digitais-chave (utilização avançada de processador de texto, folha de cálculo, base de dados, programação…);
ii) Igualmente importante é a valorização social e profissional dos professores, comprometida pelos anos de congelamento da carreira e pelos alçapões legislativos que impedem a progressão, levando a uma erosão da motivação e das relações interpares, sobretudo nos escalões etários dos 40 aos 55 anos. O envelhecimento acelerado dos docentes compromete já a desejada transição gera- cional dentro de cada escola.
Outro aspecto fulcral nesta escola em transformação, é a mudança do quadro mental de todos os agentes educativos – professores, alunos, pais e encarregados de educação, Administração, empresas e instituições da sociedade – pois esta “educação 4.0” que se desenha no horizonte é impulsionada pela quarta revolução industrial em curso, que apresenta um conjunto de transformações profundas - por exemplo, nos campos da inteligência artificial, da ‘internet das coisas’, da robotização, da automatização, da gestão da informação, do aproximar do real e do virtual, etc.-, que concorrem para o desenvolvimento de produtos e serviços extensíveis a todas as área da sociedade, com repercussões evidentes na vida quotidiana das pessoas e no funcionamento das organizações.
Em termos práticos, obrigar-nos-á a ir mais além do que a mera utilização a tecnologia. Apela ao aperfeiçoamento do ensino/aprendizagem/avaliação, à simplificação de processos de prestação dos serviços, à redução drástica da burocracia insana e autojustificativa que fustiga diariamente a gestão escolar.
Nas linhas de força desta escola pós-pandémica, pontifica a valorização da diversidade da oferta educativa, que permita percursos diferenciados consoante as aptidões, as expetativas, os ritmos e estilos de aprendizagem do universo de alunos, cada vez mais heterogéneo.
É desejável a abolição das paredes da sala de aula, criando-se oportunidades de aprendizagem em ambientes presenciais e virtuais, o reforço do ensino experimental e da aprendizagem centrada em problemas/projetos, a valorização das artes, das humanidades, das ciências, da tecnologia, que cada vez mais fazem sentido numa visão integradora da educação, de pendor humanista, que permita a cada aluno realizar o seu projeto pessoal de vida.
É necessário estimular o reforço da ligação da escola às empresas, às associações, clubes e demais instituições da sociedade, entendidos como mais-valia formativa e que permitiem trabalhar dimensões como o emprego, a cidadania, o ambiente, a equidade, etc.
Finalmente, nesta visão da pós-pandemia, é fundamental que a escola seja portadora de esperança no futuro, ajudando cada criança/jovem/adulto a acalentar o sonho que nos impulsiona a melhorar a nossa vida pessoal e a alcançar o bem comum.

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