Correio do Minho

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A esquerda sinistra

Derrota à francesa

A esquerda sinistra

Escreve quem sabe

2021-12-26 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Há uma esquerda que chapinha com alarido numas pocinhas de deturpado sentido, ou de sentido nenhum. Talvez se note pouco em Portugal, mas em França o fenómeno é aflitivo.
Laurent Bouvet não suscitará reconhecimento entre os leitores, não será pessoa que de pronto localizemos, contrariamente à Le Pen, ou a execrando Zemmour.
Não é escândalo que Bouvet esteja para lá da linha do horizonte. Enfim, estou em crer que boa parte dos progressistas de hoje não seja capaz de identificar o secretário-geral do PCF ou do PS de cá. A esquerda francesa está agónica.
Permito-me um optimismo natalino, direi que renascerá como de fava, feijão ou de bacalhau de secadouro exemplar se faz obra, bastando que passe por rigorosa cura de águas. Arrimará após mea culpa, após se inteirar de derivas e indigências intelectuais. Águas sãs e purgante de provada botica, e nada melhor do que regressar às origens, a Lenine, porque não, ao último dos seus escritos, aquele em que discorre sobre a doença infantil do comunismo. O esquerdismo.

A esquerda francesa recuperará, e que de encorajamento lhe sirva a ressurreição de Rui Rio, ao que parece ombro com ombro com um Costa que possa ficar para a História como um maioricida, e só me lembra um desses relatos macabros do daesh, o de despachar figuras de autoridade contrárias a disparos de bazuca.
Pior se morre de farturas que de mínguas, de imponências e enfatuamentos do que de concessões avisadas. Sim, mal anda quem esventra recursos com séquitos e espelhos, descurando de se ocupar com questões de ordem prima.
Retomo Bouvet, que a sinistra francesa entendeu a seu tempo enxotar em desgraça. Bouvet, falecido faz dias, seria dos poucos pensadores articulados com quem os obnubilados poderiam contar, e de facho e xenófobo o acoimaram, inclusive com editoriais no L’Humanité, jornal que já não cabe no nome. Em suma, levou do mesmo que a Le Pen e o Zemmour, o que só desqualifica quem vocifera. A caravana passa, como é dos livros.
Pronunciara-se Bouvet contra a presença ostentatória do véu islâmico, advogando em prol de um laicismo sem concessões, insistindo que a todos os agentes políticos competisse pugnar por o que favorecesse a individuação plena, intoleráveis sendo as práticas e discursos comunitaristas. Foi o que bastou para que o ostracizassem com estrondo.

Patina a França em indigenismo em wokismo, em islamo-esquerdismo, em retrocolonialismos persecutórios, em esterilidades de género, em inclusivismos de escrita, em proibicionismos da panóplia do cancela- mento cultural. A menor reprovação esclarecida de um excesso identitário é imediatamente catalogada em termos de fobia. Haja psiquiatria e paciência, mas que não dizer das femmages – mulhenagens – da Maire de Estrasburgo? É que Jeanne Barseghian não se arranja com palavra caduca e sexista, como “homenagem”, se mulher é a gloriada.
Na mesmíssima linha se inscreve o delírio de novilíngua da comissária maltesa Helena Dalli. Talvez tenha suscitado mais brado a propositura de revogação do termo “natal”, porque de conotação religiosa e, pela vulgata, de meritória reprovação são os credos, particular e aceradamente os que relevam da cristandade. Mas que próxima não é a curta maltesa da líder da Femyso, que abonada foi com verbas europeias para a campanha «A beleza está na diversidade, como a liberdade no hijab!»

Vai a Comissária além do que deve, e só não vai para o olho da rua por falta de voz, de peito, ou de algo de evocação imprópria. Segundo a senhora Dalli é o próprio nome de “Maria” que está carregado de gosmas, que antes Malika.
E serve a Europa para isto!

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