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A Europa que queremos

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A Europa que queremos

Ideias Políticas

2024-05-14 às 06h00

Inês Rodrigues Inês Rodrigues

Nas primeiras eleições livres e democráticas de 1976, quase 20 anos depois do Tratado de Roma, o Partido Socialista marca a integração europeia como a principal prioridade na agenda, com o slogan a “A Europa connosco”. O desejo de construir um projeto de união entre povos para garantir o futuro das próximas gerações em paz e democracia era o nosso desígnio e Mário Soares sabia-o. Vencida a esquerda não democrática, só havia um caminho para garantir as conquistas de Abril: a integração europeia.
E, em 1986, Portugal deu esse salto histórico no progresso e no desenvolvimento que durante quase meio século nos foi negado. Após 8 anos de negociações, o pequeno país de portas abertas ao mar passa a fazer parte de algo maior: o início de uma Europa unida.
Mas e hoje? Será que os portugueses se sentem europeistas? Num recente estudo da IPSOS para a Euronews, 82% dos inquiridos consideram que a adesão à União Europeia foi uma decisão positiva. Ainda assim, é importante relembrar que, mesmo após a adesão, nem tudo foi um mar de rosas e Portugal sofreu com os seus altos e baixos.
Desde 2015, altura em que António Costa revolucionou os livros da política portuguesa, Portugal recuperou a sua credibilidade europeia, demonstrando que ser um parceiro credível e ativo na construção de uma Europa mais próspera, justa e sustentável.
Foi assim quando virámos a página da austeridade, quando resistimos à pandemia da COVID-19, quando apresentámos soluções imediatas para a crise inflacionista e quando não hesitámos em acompanhar os 27 Estados-membros nos apoios à Guerra na Ucrânia e na Guerra Israel-Palestina.
E nós? Nós fazemos parte de uma geração nascida integralmente dentro do projecto europeu, que vive debaixo um enorme guarda chuva que abriga os sonhos e projectos de vida de milhões. Somos portugueses e somos europeus, e a União Europeia é a oportunidade de podermos ser parte de uma comunidade internacional, sem perder a nossa identidade mas sim, sendo voz ativa e reativa na construção de uma união económica, política e social que todos os dias constrói um futuro progressista, pluralista e ecologista.
Não conhecemos outra realidade que não ser a de fazer parte do projeto europeu e é nele, e com ele, que queremos construir o nosso futuro. Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma ascensão de uma extrema-direita eurocética, separatista e negacionista que começa a chegar aos governos nacionais mas também ao Parlamento Europeu. Uma extrema-direita que ameaça este chão comum de mais de 450 milhões de pessoas
Mas os desafios não se ficam nos nossos lugares em Bruxelas. A Paz em que assenta o acordo dos 27 vê-se ameaçada pelo regresso da Guerra à ordem do dia. É imperativo que este novo quadro Europeu evolua no debate do alargamento da União a Leste para continuarmos a aprofundar a nossa relação com as jovens democracias do antigo bloco soviético. É essencial que mantenhamos um olhar atento e o debate aberto sobre todos aqueles que ameaçam a Dignidade da Pessoa Humana, de Kiev a Gaza, passando pela possibilidade da reeleição de Donald Trump que traz para cima da mesa a discussão sobre a necessidade de uma Política Comum de Segurança e Defesa, autónoma e independente.
A incerteza do futuro que se avizinha não se esgota em conflitos armados. A luta contra as alterações climáticas tem que ser a prioridade da agenda política e legislativa de Estrasburgo e Bruxelas, a cada um dos 27 membros, reiterando a necessidade de cada um cumprir o seu papel e combater a devastação que se sente a cada incêndio, a cada inundação ou catástrofe. No presente, através da integração dos jovens europeus, precisamos de evoluir no Programa Erasmus+, tornando-o mais acessível e abrangente, bem como na garantia que os nossos jovens têm salários dignos, acesso a um mercado de trabalho intercomunitário em que as assimetrias nacionais deixem de ser o motivo de circulação mas parte de uma cultura comum. A União Europeia é um projeto em construção contínua, e é essencial relembrar que os projetos são feitos de pessoas e a sua continuidade depende da renovação de gerações. O Partido Socialista iniciou este caminho na sua génese eleitoral e é claro na sua mensagem às novas gerações: Tal como em 1976, queremos “a Europa connosco” e queremos que os jovens sejam parte ativa desta solução dando-lhes o merecido lugar nestas eleições.

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