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A excelência dos (meus) professores... para que perdurem na memória!

Covid-19 e as ciberameaças: não custa nada estar atento

Voz às Escolas

2018-12-26 às 06h00

João Graça João Graça

Reconheço que ao longo da vida são várias as pessoas que me marcaram. Impossível não ser assim. Marcaram pelo caráter, pela atitude, pelos gestos simples, pela capacidade de superação e reinvenção. Há aqueles que que nos ficam na alma, perdurando para além da memória dos factos, perdidos numa narrativa confusa, mas perdurando porque são mais importantes do que os factos e do que as narrativas.
Quando vasculho na minha memória aqueles que perduram nela, que se arrastam comigo na soma das horas, entre eles existe sempre um professor!
Há sempre um professor que nunca esquecemos para o resto da nossa vida. Não são muitos aqueles “que nos ficam”, mas ficam sempre aqueles que são um arquétipo de atuação ou de saber a palavra certa na hora e no momento certo. São aqueles que souberam marcar pela diferença. São aqueles que nos souberam ensinar sem seguir as cânones do ensinar, são aqueles que percebem que se podem reinventar a cada hora, a cada aula, a cada dia, num eterno desafio de superação, de procura e de ajuda.
Os professores são diferentes, estranho não o serem, uns cativam pelo conhecimento, outros pela convicção demonstrada nas suas atitudes, há os que fascinam pela eloquência e os que deliciam pelo carisma, independentemente da matéria lecionada.
O que é ser professor? É ser persistente! É acreditar! É ser resiliente!
Os professores enfrentaram e atravessaram períodos de grandes mudanças, algumas disruptivas, outras pontuadas pelas mesmas lógicas, acreditaram nelas, duvidaram delas, aceitaram-nas. Inicialmente, perante a panóplia de permanentes mudanças legislativas, alguns reagem com desconfiança, outros têm medo, sentem-se inseguros., sem perspetiva, cristalizados, enquistados, de portas fechadas para o presente. Outros mostram-se titubeantes na busca do caminho. É evidente que esse grupo é residual.
A quase totalidade dos professores responde a esta epifania de mudança com dedicação, acreditando que é possível fazer e ser diferente.
Nesta vivência missionária da sua profissão há professores que reagem! Estudam, colaboram, partilham! Não têm medo de novas aventuras! Eles amam o que fazem!
Serão estes a perdurar na memória, serão herança! Como refere José Tolentino de Mendonça, “Somos, consciente ou inconscientemente, herdeiros daquilo e daqueles que nos precederam”, sinto que cada um de nós é herdeiro do seu professor, dos seus professores.
Foi isso que constatei na última semana do primeiro período, na nossa Escola Secundária de Verde Verde (ESVV)!
Perante a dúvida incerteza da Flexibilidade Curricular, dos momentos de Domínios de Autonomia Curricular (DAC), os professores responderam com excelência. Concretizou-se uma semana de aula aberta, “a aula de porta aberta” como lhe chamavam os alunos, de partilha e de verdadeira articulação curricular. Os alunos assumiram as rédeas do aprender. Foram eles a construir as suas aprendizagens, com o professor a assumir o seu papel de colaborador e orientador. Senti que os nossos professores são temerários! Senti que estes professores irão perdurar na memória dos nossos alunos. É bom ter uma escola com professores assim. É bom aprender e ensinar na ESVV.
Ainda nesta lógica da mudança que irrompeu pela escola, no concernente à Educação Inclusiva, a nossa escola tem efetuado o seu caminho. Tranquilamente! Evitando o erro. Procurando esclarecer e esclarecer-se nos momentos em que a incerteza existe. Evitando a entropia. A escola deve fazer-se com Todos.
Como refere o Papa Francisco, “o mundo não vai para a frente com uma educação seletiva porque não há um pacto social que a todos incluí”, considerando que o grande “desafio dos educadores é o de trilhar novos caminhos de educação informal, através da arte e dos desporto e de tantas outras formas”.
Como refere um pedagogo brasileiro a escola formal deve evitar a ensinação de conceitos.
A verdadeira escola deve ensinar conceitos, atitudes e valores. Quando uma escola não é capaz de fazer isto em conjunto, esta escola é seletiva e exclusiva e para poucos.”
A escola é pois um lugar de esperança e de mudança, a escola é pois um lugar de todos, a escola é pois um lugar de renovação.
Neste tempo de Natal, que não se encerra num só dia, tenho esperança que a escola seja também um lugar de nascimento, um lugar de alegria renovada, que tal como no Natal que se reinventa a cada ano, a escola se saiba reinventar a cada dia.
Espero que, neste tempo de Natal e de Novo Ano, a Escola se faça com TODOS!

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