Correio do Minho

Braga, terça-feira

A festa da Taça

Um excelente exemplo de branding

Ideias Políticas

2015-06-02 às 06h00

Hugo Soares

Estive, como me competia e queria, no Jamor. Ao lado do Clube da nossa cidade, com os nossos Bracarenses. Saltei, comemorei e sofri. É assim o futebol, tantas vezes irracional e, por isso, tão apaixonante. Foram milhares os Bracarenses que deram um colorido tão especial ao Estádio Nacional e que deram um exemplo de que massa somos feitos: paixão, civismo e desportivismo. Queria, neste texto, deixar uma palavra de reconhecimento a todos os adeptos do Sporting de Braga que, mesmo depois de uma das derrotas mais difíceis de digerir de que há memória, souberam demonstrar que em Braga sabemos estar e sabemos ser.

Foi bonito de ver a A1 repleta de Bracarenses. Impressionou a caravana de autocarros que a Câmara Municipal e algumas empresas da cidade patrocinaram para levar os adeptos. Foi fantástica a festa nas matas do Jamor. Foram fervilhantes aqueles 92 minutos em que sentimos e imaginamos a taça na varanda da Praça do Município para todos os Bracarenses a contemplarem. Afinal, o Sporting de Braga é de todos!
É para mim claro que o banho de água fria que todos sofremos não deve fazer esquecer a grande jornada para o nosso concelho da última semana. Todos 'estivemos juntos'. Valeu pelas emoções e pelo orgulho em sermos Bracarenses.

Sempre achei que o futebol não dá votos. A máxima “ao futebol o que é da bola, à política o que é do interesse de todos” deve ser o diapasão para quem exerce cargos públicos.
Fui, sou e serei intransigente na separação do futebol da política. Julgo até que a tentação de vários políticos em se imiscuírem no futebol, designadamente no que diz respeito ao poder local, sempre deu mau resultado. Quer para os próprios quer para os clubes. De resto, são vários os exemplos de políticos que, ao bom estilo ‘controladeiro’, se envolveram em clubes e acabaram mal. E os clubes passaram sempre um mau bocado.

Quer porque passam a funcionar sem autonomia quer porque ficam reféns de poderes ultrapassados e conjunturais. Mas coisa bem diferente é a circunstância de os políticos, e de, uma vez mais em particular, o poder local, respeitar, valorizar e alavancar as instituições. E o Sporting de Braga é, de facto, a maior instituição desportiva da nossa cidade. Por isso, não posso deixar de enaltecer a postura da Câmara Municipal de Braga que - não se apropriando do mérito que é todo do Clube - apoiou o Sporting de Braga, mas sobretudo os Bracarenses proporcionando uma festa e uma romaria sem par.

É assim que deve ser: as Câmara Municipais devem criar condições para que as instituições 'andem' por si. Sem clientelismos, sem tutelas, sem outro interesse que não seja o de proporcionar aquelas condições.  O Sporting de Braga é o Clube mais representativo da região e aquele que mais cala fundo nos Bracarenses.

Vivemos ontem mais um dia ímpar na história da cidade e do Clube. Estar numa final, depois de um percurso exemplar, é digno de registo. Bem sei. Bem sei que as finais são para se ganhar. E bem sei que perder como perdemos custou muito. Mas não devemos deixar de ter orgulho no Braga da nossa Braga. Sou, como todos aqueles que me conhecem sabem, um 'perigoso dragãozinho'.

É assim. Temos preferências que muitas vezes não sabemos explicar, mas o coração tem razões que a própria razão desconhece. Mas confesso que ontem sofri uma desilusão como não me lembrava de sofrer. Mais a frio percebo que - apesar de tudo - não podemos deixar de expressar o nosso orgulho e gratidão a quem nos fez sonhar. Mais por impulso do que por pensamento resolvi, ontem mesmo, depois de perdermos no Jamor, inscrever-me como sócio do Braga. Porque perdemos. E porque mesmo assim estou grato. Foi linda a festa... Da próxima - porque a vai haver - vai ser melhor.

Uma última palavra de reconhecimento ao presidente António Salvador que fez mesmo do Braga um dos  Grandes e a toda a equipa técnica e jogadores. Haveria alguém mais do que eles que quisesse ganhar?

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