Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A festa das taças

O mito do roubo de trabalho

Ideias Políticas

2016-05-24 às 06h00

Pedro Sousa

Há duas semanas atrás, neste mesmo espaço, terminava o artigo que aqui escrevi sob o título “Braga - Capital do Desporto” da seguinte forma: “A fechar, deixar dois desejos muito pessoais em que, estou certo, muitos Bracarenses me acompanham.
Força, ânimo e felicidade para o ABC na disputa pela vitória na Final do Campeonato Nacional de Andebol (A1) e na Taça Challenge e ao Sporting Clube de Braga na Final da Taça de Portugal.
Vencer estas competições seria, sem dúvida, a cereja no topo do bolo de uma cidade que, ano após ano, se afirma e confirma como Capital do Desporto”.

Duas semanas volvidas e dois dos três desejos que formulei foram já, de forma absolutamente memorável, alcançados, num fim-de-semana que, sem sombra de dúvida, perdurará na memória de todos pelos melhores motivos.
Tudo começou no Sábado com um Flávio Sá Leite totalmente lotado, com centenas de pessoas a terem de ficar fora do Pavilhão por não caber mais uma pessoa que fosse no seu interior. Uma jornada épica, um ambiente frenético e contagiante a fazer lembrar as melhores tardes do Académico.

O ABC foi inteligente e de uma maturidade absolutamente incrível do início ao fim, conseguindo gerir com sobriedade e frieza os seis golos trazidos de vantagem da primeira mão.
Cedo se percebeu que muito dificilmente e, à quarta tentativa, o ABC de Braga não passaria a ter nas suas ricas e preenchidas vitrinas um troféu europeu. Assim foi e apesar da derrota por 25-29, a Taça Challenge ficou em Braga. O Sá Leite e a cidade irromperam em festejos por ver o seu Académico regressar aos lugares cimeiros do Andebol nacional e internacional, lugares, esses, que convenhamos são seus por direito próprio.

Sem tempo para descansar, seguiu-se aquela que para mim, pessoalmente, é a festa mais bonita do desporto em Portugal. Falo, naturalmente, da Final da Taça de Portugal e não o digo, apenas, por se tratar do desporto do qual fui praticante e no qual exerço, hoje, funções de dirigente, nem, tão pouco, por ser o desporto rei.
Digo-o porque o sinto, genuinamente. Não há nenhum fenómeno desportivo em Portugal igualmente capaz de uma tão grande envolvência social, humana e territorial como a final da Taça de Portugal em futebol.

São dezenas de milhares de pessoas que, em grupo ou individualmente, de autocarro, de comboio ou em automóvel próprio, preparam, religiosamente, os seus farnéis, as suas merendas, juntam a família e os amigos e rumam ao Jamor para a festa da Taça.
Há, até, grupos que se apresentam no Parque do Jamor com verdadeiras estruturas de campanha, a fazer presumir estadas mais longas e onde não falta absolutamente nada desde mesas, cadeiras, assadores, porcos no espeto, máquinas de cerveja de pressão, pipas de vinho, colunas de som profissionais, mesas de mistura e carros de apoio técnico sempre por perto a esta parafernália de coisas.

Hoje, quero, aqui, falar-vos da minha festa, do meu Jamor. Foi a terceira vez que estive no Jamor a apoiar o Braga, o Mágico que nos anima a vida. Recordo-me bem da final de 1997/1998 perdida para o Porto por três a um e recordo-me, melhor e mais dolorosamente, da final perdida a época passada, nas grandes penalidades, para o Sporting Clube de Portugal após termos estado, no tempo regulamentar, a vencer por duas bolas a zero.

Este ano, apesar da desistência de alguns que, após a derrota do ano passado juraram nunca mais regressar ao Estádio Nacional, lá voltamos a juntar a família e os amigos mais próximos para rumar ao Jamor e defender, cantando até ficar sem voz, pelo Arsenal do Minho.

E como valeu a pena. Foi um dia épico, memorável, de sadio convívio e de salutar encontro com muitos amigos e, no final, ainda que mais uma vez com muito sofrimento à mistura, trouxemos a Taça para Braga, enriquecendo mais a nossa história e colocando a cereja no topo do bolo de uma grande época desportiva.

A fechar, uma revelação. Só hoje (Segunda-Feira) vi os penáltis da Final. No Domingo, no Estádio, e depois do balde de água gelada do ano passado e, também, devido à similitude das circunstâncias do jogo de ontem com o de há um ano atrás, não consegui olhar. Voltei as costas ao relvado e, ajoelhado, pedi ajuda a todos os Santos, Deuses e Nossas Senhoras de que, no momento, me consegui recordar.

E foi assim, neste ritual que descobri o sentido de cada penálti. Através dos gestos e das reacções das pessoas que, atentamente, perscrutava. No final, os rostos onde minutos antes havia desânimo, tristeza, apreensão e descrença, abriram-se num enorme sorriso e, dos mais novos aos mais velhos, vi e registei alguns dos sorrisos mais felizes com que já tive a oportunidade de me cruzar.
Cinquenta anos depois a Taça de Portugal era novamente nossa. Só nossa. Toda nossa.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

11 Dezembro 2018

Cultura plena

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.