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A forma correcta

“Esforço orçamental” português para a saída da crise Covid-19 é um dos menores da zona euro

A forma correcta

Escreve quem sabe

2020-12-20 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

Muitas vezes, cometemos erros por desconhecimento da for- ma correta. Sempre vimos as palavras assim escritas ou sempre as ouvimos serem ditas daquela forma. Lê-las e ouvi-las nos órgãos de Comunicação Social ou em páginas das redes sociais pode, inclusivamente, reforçar as nossas crenças e perpetuar o erro.
Com certeza que não quis dizer isso.
Com certeza é uma locução adverbial composta pela preposição “com” e pelo nome “certeza” e pode ser substituída por “certamente”. Apesar de a locução ser mais utilizada com a preposição “com”, alguns dicionários registam “de certeza”, com a preposição “de”. Lamentavelmente, na página da RTP Madeira lemos: “O Terrantez de 42 anos já está a ser comercializado e vai concerteza ajudar na promoção da ilha e dos vinhos.” (em https://bit.ly/3anJ dms, acedido em 18-12-2020).
E se de repente o corrigirem?
Outra locução adverbial maltratada é “de repente”. Infelizmente, não precisamos procurar muito para a encontrar mal escrita (*derrepente). Tal não existe. Se tiver dúvidas, substitua por “repentinamente”.
Tantos erros causam-lhe mal-estar?
Outro erro muito frequente é a confusão instalada entre “mal-estar” e “*mau-estar”.
O correto é mal-estar, pois “mal” opõe-se a “bem”. Neste caso ficaria bem-estar. Mal-estar significa uma indisposição, um incómodo, um não estar bem. “Mal” e “bem” são advérbios. “Mau” e “bom” são adjetivos.
“Mal-estar” é um nome comum masculino. A maioria das palavras compostas que se iniciam com “mal” são adjetivos (mal-acabado, mal-acostumado, maldisposto).
A este propósito, consulte-se a Base XV, do Acordo Ortográfico de 1990, sobre o uso do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares:
“emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou h. No entanto, o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante. Eis alguns exemplos das várias situações: bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado; mal-afortunado, mal- -estar, mal-humorado; bem-criado (cf. malcriado), bem-ditoso (cf. malditoso), bem-falante (cf. malfalante), bem-man- dado (cf. malmandado), bem-nascido (cf. malnascido), bem-soante (cf. malsoante), bem-visto (cf. malvisto).
Obs.: em muitos compostos o advérbio bem aparece aglutinado com o segundo elemento, quer este tenha ou não vida à parte: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença, etc.
Benvindo, seja bem-vindo!
Terminamos com “Bem-vindo” e “Benvindo”. Uma pesquisa rápida pela internet permite-nos constatar que há várias páginas que nos saúdam com “*benvindos” ou “*bem vindos”.
Quando designa a saudação de boas-vindas, a palavra escreve-se com hífen. “Bem-vindos” é elipse (quando o verbo não está expresso) da frase “sejam bem-vindos”. De salientar, que o segundo elemento da palavra concorda em género e número com o sujeito (ele é bem-vindo, ela é bem-vinda, eles são bem-vindos, elas são bem-vindas).
“Benvindo” é um nome próprio, tal como o feminino “Benvinda”.
Como sugestão de leitura para esta pausa natalícia, recomendo A História do Cerco de Lisboa, de José Saramago. Trata-se da história de Raimundo Benvindo, um revisor de textos que comete um erro proposital ao corrigir um livro sobre a história do cerco de Lisboa, ao acrescentar um “não”. Descubram o resto e com certeza vão gostar. A leitura provoca bem-estar.

Votos de Boas Festas.

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