Correio do Minho

Braga, sexta-feira

A Grécia e A Europa

Amarelos há muitos...

Ideias Políticas

2015-02-10 às 06h00

Hugo Soares

Os ecos das eleições legislativas na Grécia ainda não deixaram de se fazer sentir e, ao que parece, ressoarão na política europeia durante mais alguns meses.
Conforme aqui deixei escrito há quinze dias atrás, “o conto de fadas” em que o Syriza cimentou a sua vitória eleitoral poder-se-ia transformar num pesadelo para os Gregos e num amargo de boca para aqueles que rapidamente apregoaram a colagem ao novo governo grego e às suas promessas eleitorais.

A verdade é que o Syriza e os seus dirigentes quando perceberam a hecatombe sobre a bolsa grega e a espiral imparável dos juros da dívida soberana logo deixaram cair a sua principal bandeira: reestruturação da dívida pública, não pagando aquela que consideravam ilegítima. Comecemos por aqui. Ouvir alguns políticos portugueses (não falo já nem do BE, nem do PCP porque as distâncias ideológicas que me separam são incomensuráveis) como António Costa apregoar a mudança na Europa depois da vitória do Syriza e com estes pressupostos é de arrepiar.

Convém que os Portugueses saibam que, à cabeça, Portugal tem emprestado à Grécia cerca mil milhões de euros. O que permitiria, por exemplo, repor a totalidade dos salários na função pública ou baixar o IVA em dois pontos percentuais. E que a tal dívida “ilegítima” diz respeito a contribuições de outros Países europeus, a fundos de investimento privado, a fundos de pensões, etc… Deixar de pagar significaria que aqueles que investiram ou emprestaram deixariam de receber. Este seria o problema dos credores.

E da Grécia? Resultaria para a Grécia, e de forma muito simplista, aquilo que resulta a todos os que deixam de pagar as suas dívidas: perderia a credibilidade para que voltassem a ter quem lhes emprestasse. Mas mais. Como a Grécia não tem saldo estrutural positivo, ou seja, gera défices além do serviço da dívida, significava também que perante a ausência de financiamento externo teria que fazer opções como deixar de pagar salários, manter serviços públicos abertos ou deixar de pagar prestações sociais.

O caminho é pois muito ténue para o Governo Grego e para o seu povo. Ora, a defesa demagógica deste caminho feita por António Costa demonstra não só a sua irresponsabilidade, a sua veia eleitoralista, mas sobretudo a sua impreparação. É certo que António Costa se apressou a arrepiar caminho e a procurar uma descolagem do Syriza depois do número patético “espelho meu, espelho meu, há alguém mais Syrizista do que eu…”, mas não é menos verdade que teve que desdizer o que havia dito.

A Europa e o Governo Grego ainda não lograram encontrar uma solução para o impasse. Estou convencido que a bem da construção Europeia e do povo Grego, o Syrza e o partido extrema-direita com quem se coligou terão que ceder. Neste entretanto, convém lembrar que é a primeira vez que um líder da extrema-esquerda se senta no Conselho Europeu e na Nato.
Um aliado daquela democracia chamada Rússia. Enquanto alguns se entretêm a enaltecer o estilo glamoroso e descontraído de Tsirpas e Varoufaquis, gente como António Vitorino e Paulo Rangel lá vão alertando para os riscos que nunca corremos. E enquanto a espuma dos dias passa, a Grécia vai perdendo terreno relativamente aos seus pares Europeus.

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