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A indolência municipal

Rizoma

A indolência municipal

Ideias

2019-01-29 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

“Não há caminhos fáceis para quem é responsável”
(Eugénio de Andrade)


Na cidade de Braga “estamos a colocar pessoas em risco. Sou peão, mas também sou automobilista e vou conhecendo as zonas perigosas, mas há quem não conheça". A advertência, formal e sem qualquer tibieza, foi feita há dias por um autarca de Braga, o presidente da União de freguesias de Maximinos, Sé e Cividade.
Em apenas duas semanas, este foi o segundo eleito local a insurgir-se publicamente contra a apatia camarária, neste caso em particular da Divisão de Trânsito, “o sector que pior funciona na Câmara Municipal de Braga”, segundo Luís Pedroso. Anteriormente, e também aos microfones da Rádio Universitária do Minho, os queixumes haviam sido do presidente da Junta de Freguesia de S. Vítor.

Quer agora quer na denúncia anterior, Ricardo Rio não poderá fazer uso do estafado alibi de responsabilizar a antiga gestão socialista pela situação nem, tão pouco, pode atribuir as críticas a membros da oposição. E está impossibilitado de o fazer porque os dois autarcas que vieram a público criticar a Câmara concorreram e foram eleitos em listas da coligação de direita, a mesma que, liderada por Rio, governa o município.
É indesmentível que o estado das vias rodoviárias da cidade de Braga é lastimoso, com pisos esburacados e um enorme défice de sinalização, o que, em conjunto, concorre para colocar em risco a segurança dos automobilistas e da população. Como que a comprovar a situação de abandono a que a Câmara votou essas vias, os dados, de igual modo comprováveis, quanto ao número de peões atropelados em Braga, claramente o mais elevado do distrito.
Poder-se-á retorquir que a condição das vias pouco terá a ver com o número de atropelamentos mas se à situação deplorável de alguns pavimentos juntarmos a ausência de sinalização, facilmente encontraremos o caldo que originou a quase centena e meia de acidentes desse tipo registados em 2017.

É também por essa razão que, aliás, nem deveria ser necessário o grito-revolta deste autarca para que a Câmara Municipal tomasse as medidas adequadas, como de resto é sua obrigação.
Pelos vistos, e nesta área, a criação do novo pelouro da Gestão e Conservação do Espaço Público e Gestão das Instalações Municipais, constitui de facto o reconhecimento dos problemas, mas ao fim de um ano ainda não teve resultados práticos.
A este propósito convirá lembrar, como o fez Luís Pedroso, que a situação da sinalização horizontal nas estradas da cidade mereceu da sua parte um alerta à Câmara “bem antes do verão passado”. O autarca sublinhou, e bem, que essa "era uma altura extraordinária para pintar passadeiras, e não só, até porque a maior parte da sinalização de trânsito na união de freguesias é no chão". O presidente daquela união de freguesias, que aconselha a pintura “a quente” da sinalização no piso, porque a frio desaparece com a chuva, também constatou, todavia, que "nada se fez".

É certo que ciclicamente são postas a circular notícias com promessas de intervenções municipais nesta e em outras áreas sensíveis, sempre com investimentos de grande vulto, mas a realidade tem vindo sucessivamente a demonstrar que tais notícias não passam de mera propaganda.
Um dos paradigmas da postura de passividade do Município pode ser encontrado na via que liga(va) as avenidas Robert Smith e Frei Bartolomeu dos Mártires, dois pequenos troços que, “por razões técnicas”, se encontram encerrados ao trânsito desde 2017! Convenhamos que, neste caso, sobra tempo e escasseiam intervenções que corrijam as anomalias. Assim, a reposição na normal circulação nestas vias, que até são essenciais para aquela parte da cidade, continua a aguardar melhores dias.

Outro (mau) exemplo da inércia da Câmara é o túnel que liga a Avenida D. João II à Avenida dos Lusíadas, uma obra problemática, eventualmente com erros de projecto, e que originam a sua inundação, e interdição ao trânsito, sempre que a precipitação é mais acentuada. Ou seja, quando chove é frequente encontrar aquela ligação encerrada, por vezes durante largos períodos. Acontece que esta era uma das intervenções considerada prioritária já em 2013, quando Ricardo Rio iniciou o seu primeiro mandato… A questão que se coloca é bem simples: de que estão à espera??

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