Correio do Minho

Braga, sábado

A interdisciplinaridade e o trabalho colaborativo unindo a escola e a vida – Obrigada João

Mais uma vez, um novo ano escolar

Escreve quem sabe

2018-06-19 às 06h00

Cristina Palhares

No passado mês de maio a ANEIS realizou o seu XIII Congresso Internacional na nossa cidade de Braga. Dele resultaram algumas reflexões feitas por professores, meus colegas, que me ajudaram na definição e desenvolvimento de alguns termos ligados à temática da sobredotação. Transcrevo e comento algumas dessas reflexões agradecendo profundamente a oportunidade de as ter podido ler.
Aceleração escolar – “Reconheço, por experiência própria que é uma medida inteligente para os alunos com altas habilidades. O processo deverá ser muito bem pensado e articulado entre os docentes e famílias que propõem a aceleração e os docentes que recebem o aluno”. Sem dúvida. Deve ser sempre uma medida pensada não para a criança, mas com toda a comunidade educativa. Nunca esquecendo a maior das premissas: não é porque se faz uma aceleração que a criança anda mais depressa. É porque ela anda mais depressa que se deve acelerar. Não é causa, é consequência.
Antecipação escolar – “O meu filho, entrou no 1º ciclo como condicional. Foi uma decisão muito difícil de tomar, sabendo as desvantagens do processo… mas cada caso é um caso e no caso dele, até agora, foi a melhor decisão! Ele é tão feliz!”

Tal como o estudo longitudinal “Vendedores de algodão doce” do Professor Marcelino Pereira da Universidade de Psicologia de Coimbra, que desmistifica o facto de que a antecipação escolar é uma medida que vai tornar as crianças infelizes, porque imaturas. Após um percurso escolar pautado com esta medida ou da aceleração no primeiro ciclo, os alunos já então no 9º ano de escolaridade afirmaram, em 97% dos casos, o quão eficaz fora essa medida. Isso não impediu que os 3% de insucesso ajudasse a formar no nosso senso comum o mito de que a antecipação ou aceleração eram medidas ineficazes. Como o Professor fundamentou, na grande maioria das vezes foram eficazes, os alunos mais felizes e os pais satisfeitos pela opção que tomaram. São estudos assim que nos permitem desmistificar tantos preconceitos que rodeiam esta temática.

Avaliação – “Para potencializar o domínio das altas capacidades devemos avaliar o aluno, não para rotular mas para saber que medidas/metodologias utilizar. Salienta-se que são os profissionais que tomam as decisões e não os resultados dos testes” Nem mais: o que fazer com a avaliação está nas mãos dos professores. “A avaliação do aluno deve ser feita para o seu superior interesse, ou seja, descobrir o que se pode fazer por ele e como o fazer.” “As crianças sobredotadas não podem ser omitidas…” Verdade. Tão depressa solicitamos a avaliação de alunos com dificuldades e insucesso escolar e aceitamos o seu diagnóstico, aliviando assim a nossa consciência enquanto professores sobre o culpado do insucesso, como rejeitamos quer a avaliação quer o seu diagnóstico nos alunos que revelam excelentes capacidades.

Criança sobredotada – “Uma criança com um dom excecional ou até vários, seja na área que for… Reconheci alguns desses ao longo da minha vida e aprendi que, no que concerne à escola são sempre os mais prejudicados no sistema educativo atual…”. Bom quando sentimos que afinal os professores os reconhecem, e que, muitas vezes por desconhecimento, não deram as melhoras respostas. Mas hoje em dia, já não há lugar para dizer que nunca ouviram falar. Estamos cá há 20 anos… prontos a ajudar!

Identificação - “Quantos não devem ter passado pelas minhas mãos sem os reconhecer?! “A identificação é feita através da observação de vários comportamentos, que deveriam ser identificados pelos seus professores, mas infelizmente a maioria não tem competência para tal. O nosso ensino tem que rever a situação.” O sentimento de não saber, não descobrir, não “mexer” como muitas vezes ouvimos é sinónimo de exclusão, de não atendimento a necessidades específicas. No fundo, uma profunda discriminação, consciente e assumida, tal qual a avestruz: Não vejo…. Não sei. “Muitos jovens passam despercebidos na escola por falta de estruturas de identificação e acompanhamento”. Pois… e agora como fazemos? Vamos ficar sentados à espera das estruturas? Vamos ficar sentados à espera que nos digam como fazer? Ou vamos antes dizer-lhes (a eles e às estruturas) como podemos fazer? Se precisarem, estamos cá para ajudar! Há 20 anos que resolvemos deixar o assento!

Intervenção – “Condição sine qua non: instrutores/professores competentes”. Obrigada. Professores competentes. O que todos temos que ser. Já não há lugar para professores assim-assim. Ou somos ou não somos competentes. E competência é sinónimo de acreditar: em si e nos seus alunos. É também sinónimo de desmistificar e incluir. Incluir porque se reconhece. Incluir porque se intervém. “Para ser feita uma boa intervenção é necessária uma boa base teórica, um ótimo planeamento, muita metodologia e uma excelente estratégia.” Fácil… querem ver? “A intervenção deverá ser cirúrgica e não cansativa”. Cirúrgica, porque atende às necessidades específicas e Não cansativa porque é criativa. A interdisciplinaridade e o trabalho colaborativo unindo a escola e a vida. De mãos dadas: professores e alunos.
A todos os que me ajudaram a escrever este texto… a vós o dedico.

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