Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A lealdade ao chefe

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Escreve quem sabe

2018-04-22 às 06h00

Joana Silva

O mundo de trabalho é heterogéneo no seu contexto emocional. Ser profissional implica um compromisso que, muitas vezes, envolve falhas por parte de chefias e falhas por parte de colaboradores. Ambas as partes, tem direitos e deveres a cumprir. Mesmo que não seja o trabalho que se deseja para futuro, no momento em que há um compromisso a cumprir com as regras circunscritas a um contrato deve-se realiza-las. Parte do compromisso da ética e da moral.
Não obstante, é pressuposto ético e moral a entidade igualmente zelar pelos direitos circunscritos no contrato, daqueles que confiam e validam pela sua palavra e assinatura. Quando ocorre conflitos em contexto organizacional presume-se que uma das partes não cumpriu. Há quem afirme categoricamente, Não tenho sorte com os meus funcionários!. Talvez em alguns casos efetivamente. Mas também existe a outra face da moeda em que há colaboradores que são extremamente leais e no entanto aos olhos das chefias não são reconhecidos como tal. Colaboradores leais existem. São por analogia uma espécie em vias de extinção, muito por culpa da sociedade e da falta de valores desta, onde a maioria das pessoas sobrevivem emocionalmente e onde tantas outras estão doentes pelas situações injustas que não conseguem lidar/gerir no seu dia-a-dia. Mas afinal quais são os traços que definem um colaborador leal?! Muitos. E os mais importante passam aos olhos de quem tem uma personalidade demasiado racional em desfavor da emocional.

Um trabalhador leal é aquele que defende o chefe. Possuiu uma espécie de observação e análise empática. Consegue perceber que existem certas decisões que são tomadas que no presente podem não ser as melhores mas que no futuro serão uma mais valia. Mais do que estar consecutivamente a reclamar, deixa fluir. Todavia, quando tem de manifestar a sua opinião (seja no sentido bom ou mau) faz-lho mas não em publico (numa espécie de ato heroico perante os colegas). O colaborador leal é aquele que muitas vezes é o alvo e foco da critica alheia de colegas que o rotulam de o sabido, o protegido do chefe. Quem o diz, na verdade, são aqueles que tem atitudes poucos claras, no sentido em que, nas costas da chefia, usam e abusam de comentários depreciativos chegando ao ponto de não falemos aqui está o protegido a ouvir mas quando na presença dessa mesma chefia, expressam-se em rasgados sorrisos e elogios. E são estes colaboradores menos corretos que são muitas vezes beneficiados em prol daqueles que são verdadeiramente leais.
Os não verdadeiros são beneficiados muitas vezes com mais trabalho (do que gostam de fazer) e gozam de um estatuto de melhor funcionário do ano.

Por sua vez, o trabalhador leal trabalha mesmo que um chefe seja injusto em algum comentário ou ação. Um colaborador leal é também fiel para com os seus colegas e nunca cita nomes de quem diz o quê. Um colaborador leal, raramente falta ao trabalho e mesmo doente (muitas vezes põe em risco a sua saúde, onde mais tarde se manifestam doenças como o cancro, por adiarem idas ao médico) é o primeiro a mostrar-se presente. Um colaborador leal mais do que zelar pelo seu próprio ordenado zela pelos interesses da empresa mesmo que para isso seja necessário fazer horas extras a custo zero. Mas são estes os colaboradores leais, os desafortunados do trabalho, os da pouca sorte que muitas vezes adoecem por causa dos chefes.

Há chefias e chefias. Chefias que frequentemente vem colaboradores como meros números e substituíveis. Mas os verdadeiros e genuínos colaboradores são insubstituíveis. Tudo a seu tempo.
A lealdade não pode ser unilateral. A lealdade tem de ser de ambas as partes. Se é chefe ou se irá ser, lembre-se que o colaborador leal, não é aquele que está ser a sorrir para si ou a bajula-lo (por vezes sem sentido algum) e não é aquele que mostra trabalho quando está presente. O colaborador leal é aquele que está consigo nos bons e maus momentos, aquele que lhe diz cara a cara o que não está bem, mesmo que lhe custe e o sabor seja amargo. É aquele que trabalha mais do que uma remuneração o reconhecimento das suas qualidades humanas. É aquele que ao contrário dos colaboradores não verdadeiros que fingem comportamentos solidários e numa injustiça continuam a sorrir e a mostrar está tudo bem chefe, choram e ficam magoados numa espécie de traição emocional e preferem afastar-se. As injustiças doem e muito. Se é ou foi um colaborador leal não desanime e não analise as situações pelo lado negativo. Lembre-se, deu o seu melhor e foi sempre correto.

Se não souberam valoriza-lo o problema não está em si mas sim do carater pobre e primitivo com falta de valores humanos que não lhe permitiu ver que estava diante de uma grande ser humano que só lhe desejava o bem e o sucesso. Mais cedo ou mais tarde os bons de coração são sempre recompensados. E os chefes que desvalorizam jamais se esquecem de colaboradores carismáticos, mesmo que essas constatações demorem anos. Dificilmente se livram do peso da consciência. Nos dias em que se sentir mais em baixo, fixe, o ditado popular, quem espera sempre alcança.

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