Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell: artigos 5.º e 6.º

Um futuro europeu sustentável

Escreve quem sabe

2015-12-04 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumia.
E ele é belo e radiante com grande esplendor:
de Ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Cântico das Criaturas, S. Francisco de Assis

Os dois artigos da Lei do Escuteiro sobre os quais vamos hoje refletir, parecem ter sido retirados deste Cântico de São Francisco de Assis, que nos dá uma visão singular da relação do homem com todas as criaturas, marcada pela metáfora do “irmão” e por todos os valores que esta transporta. Francisco enquadra esta relação numa unidade universal alertando-nos para a beleza do ato criador de Deus, as relações entre as pessoas e entre estas e todas as criaturas, no enquadramento dos diversos ecossis- temas, sempre à luz dos valores do respeito, da delicadeza e da valorização, como lembrou o outro Francisco - o Papa Francisco -, tudo isto é uma questão de ecologia universal.
5.ºartigo - O Escuta é delicado e respeitador1
«Como os cavaleiros de antanho, sendo Caminheiro, és, naturalmente, delicado e atencioso para com as mulheres, velhos e crianças. Mais do que isso, és delicado até para com os adversários.
Todo aquele que tem razão não precisa de exaltar-se; quem não a tem não pode dar-se a isso».»2
Este artigo conduz-nos ao mundo da delicadeza, mas também do respeito social e democrático. O desenvolvimento do pensamento divergente é fundamental, mas dele não pode resultar nem um opressor, nem um oprimido. É a cultura da diferença que se cultiva, porque ela é enriquecedora e complementa as partes.
Nos dias agitados de hoje como seria diferente se todos seguíssemos esta máxima, pensando e procurando primeiro compreender as razões do outro (quem quer que ele seja) para só depois expormos as nossas, certamente que encontraríamos muitos mais pontos de entendimento, muitos mais caminhos para percorrermos em conjunto.
Que tal experimentarmos, ainda que durante algum tempo, seguir o conselho de Madre Teresa de Calcutá: “Temos que ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade” e iniciarmos esta procura...
6.º artigo - O Escuta protege as plantas e os animais
«Hás-de reconhecer a solidariedade com os outros seres que Deus criou e, como tu, foram colocados no mundo para gozarem por algum tempo o prazer da existência. Maltratar um animal é, pois, contrariar o Criador. O Caminheiro há-de ser magnânimo.»3
Sendo a vida ao ar livre o espaço educativo, por excelência do Escutismo, é natural que a preocupação com a Natureza, estivesse inscrita neste código de valores para serem colocados em ação comportamental, através da sua vivência, permitindo desenvolver uma vertente da educação ambiental para a valorização do património natural, da fauna e da flora, dos diversos ecossistemas e da relação do ser humano com todo este sistema complexo, mas sensível e vital.
Lembremos a Carta Pastoral: “Responsabilidade solidária pelo bem comum”, da Conferência Episcopal Portuguesa, de 15 de setembro de 2003, onde os bispos de Portugal afirmam que «O meio ambiente é um dos bens comuns essenciais à vida da humanidade, é uma condição absolutamente necessária para a vida social. A consciência ecológica é uma conquista progressivamente adquirida pela sociedade humana» e lembram que «o ambiente situa-se na lógica da recepção. É um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte». O próprio Papa Francisco acolhe esta ideia na sua encíclica Laudato Si’, para consolidar “o princípio de bem comum” e o conceito de “uma ecologia integral” e concluir que «já não se pode falar de desenvolvimento sustentável sem uma solidariedade intergeneracional. Quando pensamos na situação em que se deixa o planeta às gerações futuras».
1Versão usada pelo Corpo Nacional de Escutas
2Baden-Powell, A Caminho do Triunfo, edição do C.N.E., Lisboa, junho, 2009, p.194.
3ibidem.

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