Correio do Minho

Braga, terça-feira

A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell

O seu a seu dono!

Escreve quem sabe

2015-10-09 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Estai preparados desta maneira para viver e morrer felizes - apegai-vos sempre à vossa promessa escutista - mesmo depois de já não serdes rapazes, e Deus vos ajude a proceder assim.
Baden-Powell, in Última mensagem do chefe


Nesta citação do testemunho espiritual, como muitas vezes chamamos a última mensagem do fundador e que foi encontrada entre os papéis de Baden-Powell após a sua morte, em 8 de janeiro de 1941, mostra bem a importância que a Lei do Escuteiro e é a motivação para interpelarmos esta presença centenária no século XXI, a Lei do Escuta foi publicada oficialmente em janeiro de 1908 com a edição, em fascículos do livro fundador, o Escutismo para Rapazes - Manual de Educação Cívica pela Vida ao Ar Livre.

Sobre ela, o autor diz «A lei do escuteiro contém as regras que se aplicam aos jovens escuteiros de todo o mundo, e que tu prometes cumprir quando és admitido como escuteiro», página 41 do Escutismo para Rapazes, edição de março, 2007.

Mas o fundador tinha presente o valor gradativo da Lei do Escuteiro no processo educativo de adolescentes e jovens, pois é ele próprio que no seu livro, A Caminho do Triunfo, dedicado aos caminheiros - jovens dos 18 aos 22 anos, no capítulo Caminheirismo, afirma: «O termo Caminheiro designa um verdadeiro homem e um bom cidadão. A Lei dos Caminheiros é a mesma que a dos Exploradores, na forma como no sentido, mas tem de se olhar doutro ponto de observação - o do adulto. Em ambos os casos o princípio em que assenta a LEI DO ESCUTA exclui o Egoísmo e implica a Boa-Vontade e Auxílio aos outros. Não se trata de piedosismo, mas de orientação para a virilidade.»

Este olhar para o jovem enquanto tal, isto diferente do adolescente que já foi e do adulto que será, marca a inspiração que bebeu em Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) sobretudo em Emílio ou da Educação (1762) que na opinião de Wilson Alves de Paiva num artigo intitulado Emílio: Texto e Contexto, publicado na revista portuguesa de pedagogia, ano 45-2, 2011, 5-26, defende que esta obra é «um marco divisório entre a velha e a nova escola». Esta teoria de Rousseau viria a ser um dos alicerces do movimento dos finais do século XIX e princípios do século XX que ficou conhecido como “A Escola Nova”.

Recorde-se que Baden-Powell, foi contemporâneo deste movimento inovador de reação à escola tradicional e o Escutismo bebeu muitos dos seus princípios e acrescentou alguns que só no último quarto do século passado, as ciências da educação os colocaram na ordem do dia. Por isso, e depois deste enquadramento, dedicaremos, nas próximas quinzenas, alguns artigos a confrontar as explicações que o próprio fundador formulou para sustentar cada um dos dez artigos da Lei e procuraremos ver se os valores enunciados neste decálogo, que dá consistência ao escutismo em todo o mundo, mantêm a mesma atualidade, mais de um século passado, e se ainda constituem uma mais valia na educação, perdoem, na autoeducação das crianças e jovens do século XXI.

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