Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A Lenda das lendas

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Conta o Leitor

2011-08-21 às 06h00

Escritor

Por Liliana Pinheiro Gonçalves

Toda a gente percebia aquilo que os ligava. Faziam tudo juntos, mesmo sem querendo. Eram um grupo de ‘grandes malucos’, mas acima de tudo, eles se tornariam grandes pessoas.
Certo dia, estavam eles ainda a acordar a meio de uma aula de Português, quando leram uma lenda muito interessante. Ao princípio não passava de mais uma lenda, mas essa tornar-se-ia importante pois gerara uma ideia histórica.
Nesse dia só tinham aulas de manhã, por isso aproveitaram a tarde, para festejar os anos de Clarice.
Estavam a meio de uma conversa sobre dividirem dinheiro para assinarem uma revista de música que todos adoravam, quando, de repente, Sérgio interrompeu o falatório.
-Tive uma ideia genial! - exclamou ele.
Todos olhavam para ele, espantados.
Sérgio prosseguiu:
- Lembram-se da lenda que lemos hoje em Português?
Foi reacção imediata, todos viraram a cara e recomeçaram o debate, isto porque Sérgio tocara no assunto ‘Escola’. Todos viraram a cara menos Luísa, que sonhava ser escritora e talvez jornalista, de facto escrevia muito bem. Podia estar a dormir em todas as outras aulas mas em Português fazia tudo para estar concentrada.
Sim, lembro-me - constatou a Luísa - porquê?
Claramente estava impressionada com aquela referência vinda do amigo.
-Eu fiquei a pensar - divagou Sérgio - todas as lendas foram inventadas por alguém.
- Pensaste! - ironizou Alexandra - estou impressionada, e ainda por cima descobriste que as lendas são inventadas por alguém. Magnífico!
Todos se riam, incluindo Sérgio. Nada ali era dito de forma destrutiva, tudo era levado com leveza e brincadeira.
- A sério, e se nós, inventássemos uma lenda? - propôs Sérgio.
Todos olhavam para ele.
- Não é má ideia - apoiou Luísa - Quem inventou todas as outras lendas eram pessoas como nós.
Todos pareciam considerar a hipótese daquela ideia não ser assim tão rebuscada.
Aliás - prosseguiu - se não houver ninguém que invente lendas, actualizadas, as antigas, serão desvalorizadas e perdidas ao longo do tempo.
Luísa tinha razão, e o grupo de amigos não colocava isso em questão, a verdade, é que nenhum dos outros parecia tão entusiasmado nem disposto a levar aquilo tão a sério como aqueles dois.
- Tens razão Luísa - reconheceu a Alexandra - mas não vamos ser nós a fazê-lo.
Luísa e Sérgio pareceram indignar-se com aquela resposta.
- Porquê? - perguntou Sérgio - porque não? O que nos impede?
Alexandra não tinha resposta para aquela reposta.
- A preguiça? - prosseguiu Luísa - o ‘não apetecer’?
- Por acaso acho que chegas-te lá. - comentou César.
-Está mal - defendeu Luísa - isso não devia impedir-nos, eu apoio o Sérgio, mais ninguém está connosco?
O resto do grupo apercebeu-se da perseverança e importância que eles colocavam naquele assunto e então não iam deixar os seus dois amigos sozinhos. Alinharam assim na criação de uma lenda
As ideias foram se sucedendo, mas nenhuma parecia adequada. Até que o homem das ideias brilhantes teve outra ideia genial.
- Já sei! - exclamou o Sérgio.
Todos estremeceram com o som daquele pequeno grito no meio do silêncio.
- Menos! - aconselhou Alexandra.
- Tive uma ideia para a nossa lenda! - anunciou Sérgio, ignorando Alexandra.
Todos escutavam.
- A minha ideia é fazer-nos a lenda das lendas - começou Sérgio - Ou seja, essa lenda, relata como é que um grupo de amigos, inventaram, a primeira lenda.
Todos concordavam com aquela ideia, e achavam-na interessante.
Sérgio prosseguiu:
- Certo dia, um grupo de amigos, reunira-se, com o intuito de fazer algo que perdurasse ao longo do tempo. Então decidiram associar histórias a acontecimentos como criação de cidades - as lendas.
Sérgio ria-se, e ninguém estava a perceber porquê, ele explicou:
- Isto dá uma lengalenga!
-Pois - constatou a Luísa - Nós que queríamos fazer uma lenda, vamos fazer uma lenda da lenda, onde alguém quis criar uma lenda tal como nós.
Todos se riam.
Naquela altura, de alívio, por terem encontrado uma ideia interessante e divertida, mas na verdade não acreditavam que chegasse a algum lado, no entanto, passaram esta lenda da lenda aos seus filhos e netos, até que chegamos ao dia de hoje e essa lenda é conhecida por todos.
Eu sou a única que guardo o segredo daquela lenda, sim porque, não se esqueçam que esta lenda foi inventada, muito tempo depois do aparecimento das lendas, mas como todas as outras lendas também foram inventadas. Não vamos estragar a magia da lenda, por isso não contem a ninguém! E já agora, contem a lenda da lenda, para como muitas outras não seja esquecida e perdida ao longo do tempo.

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