Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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A Liberdade de Sermos Autênticos

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2016-11-22 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

Estes limites das sociedades hodiernas ajudam-nos a manter um ritmo de acordo com as tendências e com as modas. São cadências que permitem uma boa adaptação e manutenção daquilo que é mais respeitável e normal (embora a questão da normalidade, tantas vezes já discutida nestas páginas, seja bastante subjetiva) e, no fundo, mais aceitável. São como se fossem indicadores da forma como nos devemos comportar, do que é esperado de nós. São necessários, os limites. Porém não nos devem ditar quem somos, o que queremos, ou para onde desejamos ir.

No meu dia-a-dia, tanto ao nível do ensino como da clínica, deparo-me com situações de outras pessoas que tentam viver de acordo com os padrões recomendados. A maioria é isso mesmo que faz. Tenta, mas não consegue. E, no fundo, com estas tentativas mal resolvidas, as pessoas ficam doentes, deparando-se com um mau estar físico e mental, constante e presente, que lhes vai lembrando os limites em que vivem, e que tomam proporções demasiadamente exageradas, não cumprindo a realidade e submetendo-se, em proporção, à infelicidade dessas pessoas.

Antes de mais, é necessário reconhecermos quem somos. O avanço das idades e as diferentes experiências de vida vão-nos igualmente mudando e alterando, e torna-se necessário, de vez em quando, nos reconhecermos. Aprendermos a voltar ver quem somos, o que nos permite uma avaliação, talvez, do que se passa à nossa volta. E aqui iniciar um processo de aceitação, das nossas fragilidades e forças, do que é possível oferecermos e do que é necessário melhorarmos.
Esta aceitação também se constrói.

Pode iniciar-se como um sopro de ar fresco nas nossas vidas, uma lufada de realidade e de verdade. Aqui podem começar a cair as nossas máscaras e as tendências que já considerávamos como intrínsecas em nós e fixas para o exterior. Não é fácil este processo. Inclui, para além do autoconhecimento, uma valorização da nossa estima, do gosto de sermos nós próprios. O prazer de nos deleitarmos de nós, como pessoas, tal como nos apresentamos a um espelho, nus e com as nossas deformidades.

Estas dinâmicas implicam movimento, do nosso interior para o exterior e do exterior para o nosso eu íntimo. São processos de energia entre o mundo que nos rodeia e do qual fazemos parte e a pessoa que reconhecemos como nossa. São caminhos, ou seja, percursos que vamos andando e fazendo, que podem desenrolar-se numa maior liberdade, aquela que implica o rigor de sermos autênticos, associada a uma maior felicidade e despojamento dos limites que não nos permitem crescer.

A liberdade de sermos autênticos, de nos assumirmos como nós próprios, permite-nos ver de forma mais clara o que desejamos e quais as ações que temos de desempenhar para o conseguirmos. Uma relação inteira connosco, e a bondade que apresentamos para com o nosso eu ajudam-nos a trabalhar as relações com os outros e a melhorar os nossos níveis de saúde e bem-estar, saindo do poço que é a autocomiseração exagerada pelas nossas emoções negativas.

É tempo de termos direito a sermos livres na autenticidade. Pode começar hoje, após a leitura destas linhas, ou mais daqui a pouco, depois do café e do pastel de nata. Mas este caminho de movimento é grátis, não implica inscrição nem pagamento antecipatório, não implica fotocópias nem email. Sugere compromisso e legitimidade, sugere que nos demos mais a nós, sugere disciplina e redução dos limites - muitas vezes impostos pelas nossas ações. É tempo de voltarmos a sentir a leveza da liberdade, sabendo que quem ganha será sempre o nosso eu, para cumprimento do melhor de nós.

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