Correio do Minho

Braga, sexta-feira

A liberdade nas palavras

Amarelos há muitos...

Ideias Políticas

2018-01-30 às 06h00

Francisco Mota

A liberdade confere ao Homem uma inegável responsabilidade no seu uso: de respeito mútuo, verdade, seriedade e lealdade de pensamento. Todos somos detentores de uma liberdade e estou firmemente convencido que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza, ou seja, de se deixar de acreditar naquilo que se pensa.
Discutir o exercício da liberdade não é património de ninguém nem deve ser trunfo de guerrilha de foro ideológico. Mas a verdade é que nos últimos tempos assistimos precisamente a isso com um grande patrocínio da comunicação social. Vende-se o populismo em detrimento da informação e constrói-se uma verdade alicerçada numa mentira dita muitas vezes. No caso concreto da política acrescenta ainda o tribunal público das redes sociais, onde títulos formam opiniões e opiniões formam títulos por equivalência nas mais diversas áreas de acção.

Os mecanismos de proximidade, como as redes sociais são importantes, mas não se podem sobrepor aos de decisão. As redes sociais são espaços de reacção e não de visão, que condicionam o decisor público e as suas decisões não pela verdade, mas sim pelo medo da força do populismo. Temos a obrigação de contrariar esta tendência e não deixar com que estes ocupem o lugar da nossa consciência e convicções. Um político sem convicção é um político sem acção.
Não vergar ao facilitismo e às modas não demostra fracasso, mas antes vontade de prevalecer livre, porque se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.

Em Portugal começo a ficar com a precepção de quem não pensa como o sistema não tem o direito de dizer o que entende. Se um tipo de esquerda faz piadas é um intelectual se um tipo de direita exerce o mesmo princípio é um radical. A verdade é que a união das esquerdas radicais no governo tem permitido a uma perseguição a quem é de direita. Deturpam, atacam em bando, fomentam o ódio e vendem a sua verdade como sendo a única.  Começam a gerar um mau estar social que tem que ser combatido, mas ainda assim acredito que a surdina de muitos é a vontade de outros tantos em querer derrubar o populismo instalado.
A discussão programática tem obrigatoriamente de ocorrer no plano das ideias e nunca no vexame mediático. O sentimento democrático não pode sem condicionado por quem berra mais alto ou faz das suas interpretações a ideia dos outros. Estou convicto que vivemos numa sociedade verdadeiramente livre e que os episódios recentes apenas não passem disso mesmo de episódios pontuais de uma atitude covarde.
Posso não concordar com nenhuma das palavras que me possam dizer, mas defenderei até a morte o direito de me as poderem dizer.

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