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A medicina científica contra a epidemia

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A medicina científica contra a epidemia

Ideias

2020-03-09 às 06h00

Pedro Morgado Pedro Morgado

A epidemia de coronavírus está a preocupar os governos e as pessoas de todo o mundo. Enquanto na Europa a doença ainda se encontra em fase de expansão, na China os dados parecem indicar que está a regredir significativamente.
A “gripe espanhola” de 1918 infectou cerca de 500 milhões de pessoas e terá custado entre 17 e 50 milhões de vidas. Em 2009, a pandemia de gripe A afetou de 700 a 1,5 mil milhões de pessoas, tendo custado entre 150 e 575 mil vidas. As diferenças em termos de vidas perdidas são brutais e demonstram os enormes progressos da medicina baseada na ciência ao longo do século XX.

É evidente que não é possível erradicar a doença de imediato mas também é certo que as medidas de contenção da transmissão permitem atrasar e moderar o pico, garantindo melhor capacidade de resposta por parte dos serviços de saúde. Embora possa parecer estranho a quem não tem conhecimento técnico sobre estes assuntos, a verdade é que as medidas de contenção devem ser ponderadas hora a hora em função da evolução da doença e avaliando os benefícios e riscos que lhe estão associados.

É muito importante confiar nas autoridades e no esforço brutal que estão a fazer para proteger as pessoas e preservar as suas vidas. Cada pessoa deve ler as recomendações da Direção Geral de Saúde e cumprir as suas orientações de forma responsável e escrupulosa. No entretanto, cada um deve procurar trabalhar e estudar com a normalidade possível para mitigar os efeitos económicos da epidemia e não acrescentar dificuldades aos problemas globais.
As autoridades de saúde estão a monitorizar a situação e a decidir em cada momento aquilo que é melhor para todos. Foi nesse sentido que surgiu a decisão necessária e ponderada de suspender todas as atividades letivas no Campus de Gualtar da Universidade do Minho, em Braga.
O medo e a ansiedade que se vivem nas nossas comunidades são normais. Cabe a todos contribuir para deter a epidemia e reduzir os impactos que a doença está a provocar. Isto inclui controlar o pânico que se pode gerar em resultado da partilha de informações imprecisas ou falsas.

A medicina baseada na investigação científica trouxe avanços verdadeiramente espetaculares às nossas vidas. Tratamos hoje com grande eficácia muitas doenças que julgávamos mortais. Será a medicina científica em conjunto com os serviços públicos de saúde que trarão, mais uma vez, as respostas necessárias para deter esta epidemia. Nesta luta não há lugar para a charlatanice das alternativas a que insistem chamar medicina e que, irresponsavelmente, foram promovidas por estes dias na RTP. Isto não é minimamente compatível com o serviço público de televisão e deveria motivar uma intervenção contundente por parte do governo e do parlamento.
A urgência do momento exige que todos atuem com sentido de responsabilidade. É isso que temos visto da parte das autoridades de saúde, dos hospitais e das instituições de ensino diretamente afetadas pela epidemia. O Estado tem que fazer tudo o que é possível para nos proteger. Essa é a grande vantagem do nosso tempo e a principal fonte de confiança no futuro.

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