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A medicina do futuro

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A medicina do futuro

Ideias

2019-04-15 às 06h00

Pedro Morgado Pedro Morgado

A Medicina evoluiu de uma forma verdadeiramente espantosa ao longo das últimas décadas. Os extraordinários progressos do conhecimento científico permitiram desenvolver tratamentos que estabilizam doenças que julgávamos incuráveis no final do século XX e, por via disso, vivemos hoje durante mais tempo e com melhor saúde do que nunca.
A incorporação dos novos desenvolvimentos científicos e tecnológicos na Medicina tem custos financeiros elevados que colocam desafios muito relevantes (e difíceis) no que respeita à sustentabilidade dos sistemas públicos de saúde. É um dado conhecido de todos que a capacidade de os sistemas públicos de saúde comportarem tratamentos cada vez mais eficazes e mais caros não é ilimitada. Como podemos então enfrentar coletivamente o desafio da sustentabilidade da saúde, garantindo que não são negados tratamentos fundamentais a ninguém?

As medidas de promoção da saúde e de prevenção da doença são uma das respostas mais eficazes para este necessidade urgente de gerirmos adequadamente os recursos em saúde. Este foi o mote que levou a Escola de Medicina da Universidade do Minho e a Alumni Medicina (associação de antigos alunos desta Escola) a avançarem com a criação do Centro de Medicina Digital P5, um projeto verdadeiramente inovador que pretende aproximar os utentes dos serviços de saúde, valorizar o papel dos cidadãos enquanto curadores da sua própria saúde e apostar na prevenção da doença através da promoção de estilos de vida saudáveis e da monitorização contínua de dados clínicos relevantes.

O projeto foi apresentado no dia 8 de abril na presença do Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, e juntou à mesa do debate vários especialistas em saúde e tecnologia.
Mas o que é afinal a Medicina P5? Trata-se de um conceito que acrescenta o “P” da Proximidade à Medicina P4, uma corrente que defende a implementação de cuidados de saúde Preditivos, Preventivos, Participativos e Personalizados. No fundo, o que se garante com este novo Centro de Medicina Digital P5 é que cada utente terá um acompanhamento contínuo e próximo no período que decorre entre as habituais consultas de medicina e de enfermagem. Neste período, o utente poderá enviar informação útil para plataformas digitais que depois desenvolvem planos de cuidados personalizados que serão implementado em conjunto com o Médico e Enfermeiro de Família com apoio da equipa P5. Através da utilização de aplicações móveis que utilizam inteligência artificial será também possível identificar e triar situações de doença aguda e também prever mais precocemente descompensações de doenças crónicas como a diabetes e a hipertensão arterial.

O trabalho do Centro de Medicina Digital P5 é multidisciplinar (envolve médicos, psicólogos, enfermeiros e nutricionistas) e será realizado em conjunto com as equipas de três Unidades de Saúde Familiar que foram selecionadas pela ARS-Norte (USF Manuel Rocha Peixoto e USF Saúde Oeste, em Braga, e USF São-Miguel-o-Anjo, em Vila Nova de Famalicão). A avaliação permanente dos resultados obtidos permitirá abranger mais utentes já a partir do próximo ano.
Como foi salientado por todos os intervenientes na sessão de apresentação do P5, este projeto marca uma nova fase na prestação de cuidados de saúde em Portugal e demonstra a importância das Universidades na criação de valor para o país. O uso das novas tecnologias na prestação de cuidados é um passo decisivo para a sustentabilidade dos serviços públicos e para a melhoria da saúde dos cidadãos que tem a virtuosidade de garantir aos profissionais e aos utentes mais tempo e melhor qualidade para aquilo que é realmente insubstituível: a relação pessoal em contexto clínico.

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