Correio do Minho

Braga, sábado

A mentira como modo de vida

O nível de vida português pode ser ultrapassado pelos países do leste europeu

Ideias Políticas

2013-06-18 às 06h00

Pedro Sousa

Muitos não se lembrarão mas no passado dia 5 de Junho completaram-se dois anos da tomada de posse do actual Governo. Um Governo, um Ministro e uma Coligação assentes no maior conjunto de mentiras, no maior embuste de que há memória desde a implementação da Democracia.

A Coligação PSD/CDS, pela voz de Pedro Passos Coelho, afirmou, então, em plena campanha eleitoral: “Não aumenta-remos os impostos”, “Não se pode gerir um país sem crescimento“, “Não privatizaremos ao desbarato para arranjar dinheiro para tapar o défice”, “A solução deve vir do corte da despesa e não do aumento da receita fiscal”, “Não contarão comigo para mais ataques à classe média“, “Não basta austeridade e cortar cegamente”, “Não se pode atacar os alicerces básicos do Estado Social”, “Acabar com o 13º mês é um disparate”, “O IVA não é para subir”, “Nunca iremos dizer que desconhecíamos a realidade… nós temos noção de como as coisas estão”.

É por tudo isto que quando ouço Ricardo Rio dizer que não vai despedir funcionários públicos, que não vai privatizar nenhuma das empresas do universo municipal e que vai baixar os impostos municipais não posso deixar de dizer que não acredito pois essa é, na verdade, a sua agenda e o líder em Braga da Coligação PSD/CDS apenas não a assume pelos custos eleitorais que tal representaria.

De regresso ao plano nacional, dizer que a Coligação PSD/CDS está, por tudo o que disse acima, ferida de morte. Tem poder mas já não tem autoridade. Está totalmente desacreditada. Os Portugueses, na sua grande maioria, não a respeitam e não lhe reconhecem credibilidade política. A Troika, sete avaliações depois, reconhece que o programa falhou; o Governo nega e diz que tudo corre bem e conforme previsto.

Aproveitar para dizer que se todos os sacrifícios tivessem valido a pena não estaria hoje, por honestidade intelectual, a escrever estas linhas. Sucede que se perderam dois anos, Portugal perdeu dois anos e que, por esse motivo, estamos pior em tudo. Sucede que não há qualquer esperança no futuro se o caminho continuar a passar por este clima de asfixia fiscal, pela imposição desta austeridade musculada, quando as pessoas e as famílias ficam, cada vez mais, a pele e o osso.

Temos mais desemprego, mais dívida pública, mais desigualdades, mais injustiças sociais, mais pobreza e um contexto recessivo cada vez mais acentuado. Há muitas crianças cuja única refeição que têm durante um dia inteiro é a que lhes é garantida pela Escola, suportada, na maioria dos casos, pelas Câmaras Municipais, como é o caso da de Braga.
A acrescentar a tudo isto temos, ainda, o episódio da greve dos Professores de ontem, sinal maior do desnorte, da falta de orientação e liderança do Governo.

Sobre a greve dos professores, duas ou três notas. A primeira, de que a greve é legítima e que faz todo o sentido. Sem educação, não há País que ande para a frente e é para trás que andamos quando o Governo decide aumentar o número de alunos por turma, despedir milhares de professores e desumanizar as escolas, desbaratando os avanços nas qualificações que o País conheceu nas últimas décadas. Não satisfeito continua a sua cruzada contra a Escola Pública, ameaça com mais despedimentos e com o aumento do horário de trabalho dos que ficam.

A segunda nota, diz respeito ao facto de existirem cada vez menos apoios educativos e recursos para fazer face à diversidade de estudantes, o que, claramente, enfraquece a Escola Pública. O Governo insiste em encaixotar os alunos em turmas cada vez maiores com docentes cada vez mais desmotivados. Corta nas disciplinas de formação cívica e do ensino artístico e tecnológico, negando aos jovens todos os horizontes possíveis.

A birra e a inflexibilidade do Governo fizeram do dia de ontem um dos mais negros da Educação em Portugal e, por isso, Passos, Crato e Portas, a Coligação PSD/CDS, ficará, para sempre, recordada como aquela que, para além de pretender destruir a Escola Pública, colocou milhares de estudantes em situação de inaceitável desigualdade.

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