Correio do Minho

Braga,

A mentira tem perna curta

Antecedentes… (parte II)

Escreve quem sabe

2016-06-19 às 06h00

Joana Silva

A educação é um processo fulcral e determinante na vida de cada um, mas é ao mesmo tempo complexo. Desde a infância que somos preparados para a cidadania. Recorde os grandes clássicos infantis, em que o bem prevalecia sobre o mal. Estes clássicos (uns mais do que outros) representavam simbolicamente uma mensagem moral. Quem não se lembra do famoso conto infantil “Pedro e o lobo”, que conta a história de um menino que mentia compulsivamente e no momento em que se viu em apuros ninguém acreditava.

Há quem diga que, a mentira “tem perna curta” , todavia, parece que atualmente o ato de mentir se generalizou. Mentir traduz-se no ato de enganar para conseguir algum beneficio ou proveito desde a admiração de terceiros pela via de fazer “parecer o que se não é” (Ex: O “glamour” das publicações nas redes sociais nem sempre corresponde ao real.); obter atenção através da distorção da realidade. (Ex: Ninguém se disponibilizou a ajudar-me. Eu consegui fazer sozinho(a), aquele trabalho que mais ninguém quis.

- Na verdade o trabalho foi realizado por várias pessoas); Enganar amigos ou parentes (Ex: (Uns dias antes…) João, meu amigo tens toda a razão eu numa situação laboral como a tua não aguentava. Eu não sei, mas no teu lugar rescindia contrato. (… dias depois), ocupa o lugar do João); Minimizar punição emocional (vergonha, censura de terceiros por conduta imprópria): (Ex: Margarida apresentou amigos à Ana que havia abdicado dos amigos pela relação.

Posteriormente Ana denegriu a imagem da Margarida aos novos amigos por ciúmes da visibilidade da Margarida). A mentira tem por objetivo resolver situações embaraçosas com o intuito de obter ganhos. A mentira tem o poder de ser momentaneamente prazerosa, no entanto, a médio e a longo prazo torna-se incomodativa e pode ser altamente stressante.

Quem “usa e abusa” da mentira, pode correr o risco de se perder nas suas falsas convicções, pois a nossa memória, também prega partidas e pode “sair pior a emenda que o soneto”. Quem mente tem dificuldade em relatar novamente o acontecimento de que é questionado. Relata-o de forma mais lenta, como se tivesse a ponderar o que vai dizer, ou até reformula a pergunta em questão para ganhar tempo para pensar, perde um pormenor ou outro do que havia referido anteriormente ou acrescenta outros que não havia referido, quando o discurso deveria ser fluido e espontâneo. Importa referir que, o “corpo também fala”, quando questionados a postura torna-se rígida, corpo e rosto muito tensos e aquele que mente centra o contacto ocular por forma a “ler” o outro com o objetivo de manipular o discurso.

Ninguém está incólume, pois nenhuma pessoa pode reiterar que nunca mentiu, seja no mínimo para se proteger de algo ou até por compaixão, mas mentir por mentir desgasta. As perdas são maiores do que os ganhos, sobretudo porque as pessoas deixam de acreditar e tal como na historia infantil do “Pedro e o lobo” , na iminência de um problema verdadeiro dificilmente atenderão… Não queira ter o rótulo de mentiroso(a), pois dele dificilmente se livra.

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