Correio do Minho

Braga, terça-feira

A Minha Velhota

O seu a seu dono!

Conta o Leitor

2013-09-14 às 06h00

Escritor

Afonso Tomás de Almeida

Passo a passo, olho para trás e vejo que nunca seria nada sem a minha velhota. Embora se assemelhe a um sentido negativo, trato-a por velhota, porque é assim que gosto de a ver, embora nada se assemelhe a uma velhota, uso o termo com sentido de carinho.
Já não sei os dias que vão, nem que poderão vir, contudo sei que é pelo amor da minha velhota que eu hoje sou quem sou e que irei ser.

Certo dia, estava eu sentado a beira de um muro e como tal ainda era pequenito, embora que para a minha velhota sempre o serei, mas desequilibrei-me e caí, como é normal numa criança, e logo veio ela a correr para me socorrer, será isto verdade ou meramente ilusão? No abecedário temos algumas letras, e as quais compõem uma bela canção.

Quando era pequenito, pensava como tal, agora que sou grande penso como pequeno, é assim que me defino depois de dar-me conta que já não me recordo do abecedário, mas recordo-me que quando ficava na cozinha sem saber o que escrever nos trabalhos de casa, que naquela altura eram uma tortura para crianças, sinto que a tua ajuda é como que um coração que se podia dar aos namorados, confesso que cada dia que passa sinto-me teu namorado, na medida em que, sempre que te sentes triste falas para mim e eu para ti. Velhota, o que é o comer?

Esta é a pergunta que já alguns anos faço-a a ela, e com amor de mãe responde “ línguas-de-gato”, é certo que esta não será a melhor resposta que sai da boca dela, mas sabendo que o faz por carinho, sei que não tem maldade nela. Uma vez recordo-me com pequenas imagens, quando eu parti a parte de fora da minha mão, ao olhar para as estrelas numa noite de verão, onde ia com uma garrafa, caí e parti a parte de fora da mão, em menos de nada estamos no hospital e em menos de nada, saímos e em menos de nada estou corado!

Quem viveu estes dias, este trauma a meu lado? Foi a minha velhota. Sei que ao acordares estás feia, mas para mim és bonita. Sei que ao deitares vais feia, mas quando olho pela frincha da porta com o teu pijama és bonita. Sabes não interessa a maneira que estás, não interessa a saudade que tenhas, mas tens sempre um lugar especial no meu pequeno coração. Olho para ti, e vejo-te cada vez mais bonita, apesar do nome velhota.

Gostava de dizer que tenho um caderno guardado dentro de mim, e nele contem um desejo, muito velho, e nele desenhei os teus pequenos caracóis que tanto gosto, o teu sorriso que tanto gosto e o teu olhar que tanto gosto. Sei que posso estar doente, mas sei que estarás a meu lado, mesmo não necessitando estás a meu lado. Gosto de falar contigo, porque tu és a minha velhota, lembras-te quando me ias acordar para vermos filmes, esses que só tu e eu gostamos? Lembras-te quando eu guardo algum filme de que tu gostas para vermos juntos? Eu sim, sabes porquê?

Porque gosto de olhar para ti quando vez o filme, gosto de passar um serão contigo a ver um filme, desejo todos os dias que isso se repita. Apesar das minhas eloquências, sei que tu me perdoas, apesar das minhas parvoíces para contigo, tu me perdoas. Lembras-te quando te dei um postal, ainda quando era pequenino, e tu gostas? Eu lembro, foi a primeira vez que te desenhei e foi a primeira vez que o meu enamoramento por ti se deu.

Este caderno que guardo tem muitos desejos, dos teus beijos na minha face, quando estou doente, do teu sorriso, quando te digo algo bonito, ou da tua cara de triste quando estás doente e ou zangada comigo, mas sabes que eu nunca esperei ter uma velhota como tu, e por vezes sinto, ao olhar para o espelho do teu mundo, que nunca estarei preparado para te dizer um adeus, porque tu és o meu mundo!

Obrigado e esta é a minha velhota, que se encontra no meu caderno nesse velho caderno que guarda a minha velhota, nesse velho caderno que reside no meu íntimo, mas acima de tudo nesse velho caderno que é a minha face sobre a tua, o meu sorriso sobre o teu, e que é algo que nos une e completa.

Para terminar, o que sou eu? Quem sou eu? Onde vou e para que vou? Se eu tenho respostas a isto tudo, é porque tu, minha velhota, me ensinaste muito, podes não te ter dado conta, mas todos os dias, ainda hoje que pouco tempo estou contigo ensinas-me muito. Sabes quando não sabia dizer um mais um, agora sei, que dá dois e esse um mais um, sou eu e tu, que juntos formamos dois, este dois que estará sempre comigo até ao dia do meu e do teu adeus, esse dia demorará longos períodos a chegar e se faço e vivo o que faço é por ti e em certo modo é para ti, porque sei que com o teu nome e com o meu nome nunca estarei só e mesmo que um dia este dois se transforme em três, podes ter a certeza que o três virá em primeiro, mas porque o dois está sempre comigo.

Porque esse três é forte e vivo para ele e com ele, mas tu estás comigo e comigo ficarás, e como digo sempre, “levarei o teu sorriso para a eternidade, mesmo que seja um sorriso de velhota, porque posso chamar-te “ a minha velhota”, mas é com todo o amor que sinto e dou por ti. Amo-te velhota.

Deixa o teu comentário

Últimas Conta o Leitor

31 Agosto 2018

Ingratidão

30 Agosto 2018

Humanum Amare Est

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.