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A mudança que necessita da aposta no conhecimento

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A mudança que necessita  da aposta no conhecimento

Ideias

2020-10-18 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

O movimento de renascimento industrial está a desenvolver uma nova ordem social. Orientada para a capacidade de antecipação, para o aumento da velocidade dos processos de decisão, marcada pela interdependência e pelo aprofundamento da globalização. Está a aprofundar a articulação e a coordenação entre instituições nacionais e internacionais, a necessidade de melhorar a resposta aos problemas da era pós-COVID, e está a identificar novos desafios para desenvolvimento tecnológico, para a investigação e para economia do conhecimento.
Pressupostos de uma nova ordem social e de uma esperança para as novas gerações, onde “mais do que nunca, a ciência e a inovação ocupam um espaço imprescindível”, e que consubstanciam o texto do “Manifesto de Cientistas e Empresários 2020 - Ciência Portugal”, enviado ao Governo no passado mês de julho. Um documento subscrito por cientistas, empresários e gestores, que se uniram num apelo à definição de estratégias visionárias de desenvolvimento económico e social alicerçadas numa forte aposta em ciência e inovação, na defesa de uma tomada de posição, urgente, para relançar o futuro de Portugal. Apontando uma estratégia consolidada em torno de três pilares fundamentais: uma visão para o futuro, a cooperação entre público e privado e o reforço do investimento em inovação.
Realça a necessidade de visão estratégica de longo prazo, e defende que a resposta do país à recente pandemia, que está a evidenciar virtualidades das decisões baseadas na ciência e na inovação, na saúde, na indústria e nas empresas. Numa resposta que resultou do investimento feito nas últimas décadas e das grandes mudanças que foram introduzidas, através de uma forte mobilização de recursos humanos altamente capacitados, nos processos de diagnósticos de produção de equipamentos e no avanço do conhecimento na luta contra a pandemia.
Afirma o mesmo documento, que nunca, como hoje, o papel dos cientistas e as decisões baseadas na ciência, se tornaram fundamentais no nosso quotidiano. Na necessidade de colocar a investigação e inovação, através das instituições ensino superior e empresas, que estão no centro das novas dinâmicas sociais e económicas, a atuar de forma concertada e estratégica de forma assertiva na resposta aos próximos desafios. Estimulando, desta forma, a produção de novas ideias, de novas abordagens na saúde, nas alterações climáticas, na educação, na energia ou na digitalização e automação, para sermos capazes de assegurar um futuro sustentável.
O momento que estamos a viver é de uma crise, com contornos imprevisíveis, mas esta é também uma oportunidade crucial, para podermos apostar e desenvolver novas ideias e projetos, mais adequados aos desafios futuros. A pandemia deu e continua a dar lições, que permitiram e estão a permitir, aprofundar a nossa capacidade de resposta a esta situação de emergência. Está a mobilizar a sociedade para uma nova realidade, onde a ciência e a inovação ocupam um espaço imprescindível e determinante. Na identificação de soluções para emergências em saúde pública, na definição de estratégias de resposta, na determinação das políticas publicas necessárias e na mudança dos modelos de negócio existentes.
Este manifesto defende ainda, com grande sentido de oportunidade, novos modelos de organização e de negócio, assentes na cooperação entre público e privado, através de uma aposta conjunta no conhecimento ao longo da cadeia de valor, e na sua transferência efetiva para a sociedade e para a economia. Sendo necessário “um investimento maior, em recursos humanos, ecossistemas e infraestruturas tecnológicas nas universidades, nos institutos politécnicos, institutos de investigação e nas empresas”.
A inovação é fundamental para reforçar a competitividade da economia. Sendo crucial para o futuro do país a definição de políticas públicas, que potenciem esta aposta e fomentem a cooperação entre os mundos empresarial, científico e académico. Só através de um esforço conjunto de todos os atores privados e públicos, é possível responder aos desafios criados pela pandemia, e desta forma contruir uma economia baseada no conhecimento e potenciadora da competitividade e do emprego em Portugal e na Europa.
Este é o momento para apostar no reforço do investimento na investigação e inovação, para tornar o nosso futuro possível. Só neste ambiente se pode pensar, em empresas que se vão manter competitivas num mundo global, e que a Europa se poderá afirmar como líder de um futuro com que, coletivamente, sonhamos: sustentável, inclusivo e próspero. Este é um tempo decisivo. Um tempo de mudança acelerada, que desafia a inteligência e a velocidade de adaptação. Um mundo em transição, que necessita de ações concretas, coragem e, sobretudo, de uma aposta muito forte no conhecimento.

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