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A necessidade de dizer chega

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A necessidade de dizer chega

Ideias Políticas

2023-09-26 às 06h00

Fernando Costa Fernando Costa

Enquanto redijo este texto, discute-se, na Madeira, a possibilidade de o PSD criar a sua própria geringonça (ou, neste caso, gerinponcha) com a IL e/ou o PAN, dependendo dos questionáveis alvedrios dos seus intervenientes. Uma perda de uma maioria absoluta, que podendo ser alcançada com a aliança com outros partidos de centro-direita, provocou uma exclamação cheia de intenções da parte do líder do PSD, Luís Montenegro: “Nós não vamos governar a Madeira, nem o país, com o apoio do Chega!”, disse. Um conjunto de palavras que, todas somadas, parecia ser a definitiva resposta de um partido que até então não sabia a quem dar a mão, e por consequência, não sabia ser oposição. Tratou-se de uma afirmação, quase celebrada pelos jornais, como um derradeiro anúncio dos valores de um partido que demorava a assumi-los, e quebrando o tabu de um partido que faz da ingovernabilidade a sua existência. Finalmente, certo? Tudo isto seria uma absoluta realidade se a exclamação do líder do PSD não fosse terminada com um “… porque não precisamos”.
Ora bem, se o leitor, enquanto toma o café, me ouvisse dizer que apenas não roubaria o seu jornal porque já tenho o meu, o leitor ficaria descansado? Ou saberia que os meus supostos valores – e o seu jornal - estariam apenas dependentes das minhas necessidades?
Aplicando esse micro-cenário ao tema deste texto, o PSD apresentou no último domingo uma hipotética postura responsável, sabendo as alternativas que tem para formar governo, na região da Madeira. Agora pergunto: como será no dia em que essas alternativas não forem suficientes? Como será a postura do PSD - que conta hoje com 24% nas intenções de voto -quando efetivamente precisar do Chega? Se precisamos de exemplos, basta olharmos para o nosso país vizinho para perceber como a necessidade con-segue alterar por completo os valores de um partido, ou de uma ideologia, quando se trata da premência de querer governar.
E como se sabe, a coerência sempre tratou de ser uma ciência muito própria quando entramos na gíria política portuguesa. Como por exemplo Miguel Albuquerque, líder do PSD da Madeira, que prometeu demitir-se caso não conseguisse maioria absoluta, num momento de absoluta confiança. Depois de a perder, disse que afinal já não é bem assim.
Johann Von Goethe foi um influente escritor alemão do século XVII, que proferiu que a “lei é poderosa, porém mais poderosa é a necessidade”. Duvido que Von Goethe acompanhasse de perto as eleições regionais portuguesas, mas a verdade é que não é preciso retrocedermos três séculos para perceber que na política, não há lei – ou princípio – que faça frente a qualquer necessidade. Muito menos na política portuguesa. E o que temo, é que quando essa necessidade emergir, não haverá ninguém a dizer “chega”.

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