Correio do Minho

Braga, sábado

A (nor)oeste nada de novo

Mercado de Trabalho em Portugal, uma visão crítica

Ideias Políticas

2016-09-06 às 06h00

Pedro Sousa

A inspiração para o título do artigo que hoje vos trago vem de um livro que, muitos anos após o ter lido pela primeira vez, reli novamente durante o período de verão, época sempre propícia e, regra geral, com maior tempo disponível para dedicar aos doces prazeres da leitura.
O livro “A oeste nada de novo” é, seguramente, a obra mais marcante e aclamada de Erich Maria Remarque, magistral escritor Alemão nascido na última década do século dezanove, marcou de forma inquestionável o panorama literário europeu durante todo o século vinte.

Banido pelos nazis da sua Alemanha natal por ser alegadamente descendente de judeus franceses, viu muitas das suas obras serem atiradas para a fogueira e foi exilado em 1933 sob acusação de fazer propaganda contra o nacionalismo alemão.
“A oeste nada de novo” é um romance intenso que põe a nu os horrores da Primeira Guerra Mundial, denunciando, na primeira pessoa, as marcas de dor com que esta, ao longo de cerca de quatro anos, rasgou as vidas de quem por ela passou, mas esta obra sublime é, também, um livro de paz, um verdadeiro hino à não guerra.

A mensagem bem vincada no livro e que, aliás, acabou por lhe dar o título, prende-se com o carácter reiterado de um conjunto de manifestações, episódios ou iniciativas, a maioria delas ignominiosas que, semana após semana, mês após mês e ano após ano, teimavam em se repetir vez após vez.
Hoje não falo de episódios, nem, tão pouco, de situações ou iniciativas ignominiosas, muito pelo contrário. Por algumas delas tenho, aliás, o maior carinho e estima, porquanto são já património consolidado pelo tempo da história da nossa “muy” estimada cidade de Braga.

Falo, apenas, do carácter reiterado, repetido e replicado, sem vislumbre significativo de inovações, de um conjunto de iniciativas que a actual Governação de Direita da Câmara Municipal tantas vezes no passado criticou de forma veemente.
Ouvi, vezes demais para me poder esquecer, Ricardo Rio, sem critério e sem razão, criticar o São João, a organização da Braga Romana, o Mimarte, a Noite Branca, o Braga Jazz entre muitas outras realizações que no passado liderou a Câmara Municipal de Braga.

Hoje, é com surpresa que assisto que essas críticas, tantas vezes repetidas e, não raras vezes, veiculadas de forma hostil e acintosa não resultaram em mudanças de monta nessas realizações, facto que desmonta de forma muito clara que muitas das críticas que à altura foram dirigidas mais não foram do que exercícios de pequena política.

A essas críticas, Ricardo Rio somou um chorrilho de declarações estéreis e falsas sobre a saúde financeira da Câmara Municipal de Braga (que dizia ser um desastre, um buraco sem fundo...), falando, repetidamente, dos inúmeros esqueletos no armário que havia encontrado.
Ainda assim, com as finanças municipais supostamente depauperadas não se coibiu de remodelar faustosa e principescamente o seu gabinete, onde gastou cerca de oitenta mil euros.

Ricardo Rio percebeu há muito que com papas e bolos (e festa) se podem enganar muitos tolos, mas desconsiderou o facto de Braga ser terra de gente com os pés bem assentes no chão, sensata, equilibrada e que mais do que festa, festinha e festarola deseja viver numa cidade progressista, inclusiva e com futuro. Tudo aquilo que Ricardo Rio não parece capaz de garantir.

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