Correio do Minho

Braga,

A nova visão do escutismo mundial

Patologia respiratória no idoso

Escreve quem sabe

2015-05-01 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

No pretérito dia 17 de abril, a comunidade escutista de Braga recebeu o presidente do Comité Mundial do Escutismo, João Armando Gonçalves, o escuteiro português que, em agosto de 2014, foi eleito para este cargo, que veio apresentar a estratégia baseada nas conclusões da 40.ª Conferência Mundial do Escutismo, realizada na Eslovénia, em agosto passado.
O comité mundial, sob a orientação do João Armando, definiu uma nova visão que passa pelo longo prazo, assim definida: «em 2023, o Escutismo será o maior movimento de educação da juventude, capacitando 100 milhões de jovens para serem cidadãos ativos, criando uma mudança positiva nas suas comunidades e no mundo, com base em valores partilhados». Esta visão guiará o comité mundial durante três triénios, 2014/17, 2017/20 e 2020/23, correspondentes a três mandatos.

Para a materialização deste desiderato o comité mundial de entre as diversas linhas estratégicas priorizou seis delas:

1. Participação dos jovens
Sendo os jovens a razão de ser do escutismo e para que sejam capacitados para serem cidadãos ativos, promotores de mudança positiva, nas suas comunidades e no mundo, com base em valores partilhados, as instituições e os adultos têm que criar condições para que os jovens possam ir assumindo responsabilidades no planeamento e na tomada de decisão das políticas e das atividades da associação experimentando, desta forma, as atribuições que terão quando forem adultos e envolvendo-as com a ousadia própria de quem quer mudar o mundo.

2. Métodos educativos
Uma vez que o programa educativo é o instrumento que permite a (auto)educação dos jovens, é fundamental que este proporcione, de forma gradativa e consistente, a aproximação e participação no “mundo das decisões” dos adultos promovendo uma aprendizagem do trabalho comunitário e da responsabilidade partilhada.
Ainda nesta perspetiva, o recrutamento e a formação dos adultos voluntários assume um papel importantíssimo, por forma a prepará-los para serem capazes de partilhar com os jovens as suas tarefas e as suas responsabilidades, desenvolvendo ainda um espírito de preservação dos jovens no momento do assumir as responsabilidades, isto para que o jovem não seja tido como o corpo estranho que impede o funcionamento do sistema, mas sim como o estímulo que a todos desafia.

3. Diversidade e inclusão
As sociedades de hoje são claramente marcadas pela diversidade de origens, pelo que o escutismo que tem a todos de acolher de igual forma, e se quer ir mais longe, isto é, se quer ser um elemento marcante neste processo global , não basta que, a todos, acolha e inclua no seu seio, é imprescindível que flexibilize os seus programas educativos, tanto nas metodologias como nos conteúdos, de tal forma que cada um sinta que é um membro de corpo inteiro.

4. Impacto social
O escutismo não pode estar fechado sobre si mesmo, tem que sair da sua campânula de vidro e alargar-se às diversas comunidades onde os seus elementos se integram.
Só ao tornarem-se elementos ativos destas comunidades começam o processo de construção de novos líderes, para uma mudança positiva.

5. Comunicação e relações
A comunicação deve ser um instrumento para transmitir uma imagem da realidade que é, não basta, como à mulher de César que pareça séria é imprescindível que seja séria.
Também aqui, o ato comunicacional deve revestir-se de um aspeto pedagógico, usado para educar na verdade que é o valor que sustenta a justiça e a paz.

6. Governança
Um movimento com mais de 40 milhões de membros voluntários só sobrevive se tiver um modelo de governança transparente, quer na ação, quer na prestação de contas, focalizado numa estratégia global, catalisadora das dinâmicas nacionais e que potencialize a ação local.
Os papéis devem estar claramente definidos e o sentido do serviço gratuito aos outros deve ser a “estrela polar” que orienta a ação.

Congratulo-me que o João Armando tenha recentrado a estratégia do movimento mundial na criança e no jovem e valorizado o pensamento humanista na ação de todos na construção de um mundo melhor.

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