Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A organização educativa e papel do professor

O mito do roubo de trabalho

Voz às Escolas

2016-03-07 às 06h00

Maria da Graça Moura

Creio que todos estamos de acordo quando falamos em necessidade de trabalharmos num sistema educativo com serenidade legislativa, equilíbrio, avaliação do impacto das mudanças. São recorrentes as queixas! Num mês é publicado um normativo que altera um outro, este apenas com meses de vigência, sem que tenha sido avaliada a sua eficácia ou a sua importância para o bom funcionamento das organizações educativas. Como podemos sentir a escola como um espaço de construção, formação e desenvolvimento de competências, se estamos constantemente a alterar o rumo do seu funcionamento? Constantemente se produzem novas normas, alterações, orientações.

Os professores estão assoberbados de tarefas, com pouco tempo para si próprios, pouco espaço para se dedicarem ao seu bem-estar, à procura do seu equilíbrio, tão necessário para o estender aos outros, aos seus alunos. Não há tempo, não há oportunidade, não há espaço para a atualização permanente de leis, que provocam ainda a alteração constante de documentos de trabalho elaborados em conjunto.

A formação dos nossos jovens deveria ser a grande prioridade num país que quer vencer os obstáculos, conquistar novos mercados, invadir positivamente o espaço europeu, melhorar as condições do seu povo. Esta aposta na formação deveria ser a chave de uma boa campanha e o segredo para conquistar a felicidade dos cidadãos. A profissão docente teria que ver reformulado o seu estatuto, sendo o respeito pelo professor um imperativo.

Já tanto foi escrito sobre o assunto! Já tanto foi debatido! Se as organizações educativas funcionam bem, deixemos que funcionem. Deixemos as escolas gerir os seus recursos, deixemos que os professores ensinem os seus alunos, deixemos a responsabilidade da educação aos encarregados de educação, deixemos a burocracia, a papelada que se amontoa, aos técnicos administrativos! Aos professores disponibilize-se o tempo necessário para um bom ensinamento, o desenvolvimento de uma boa aprendizagem.

Monitorizar as orientações, as leis que estão em vigor, avaliar a sua eficácia, a sua importância para o sucesso dos alunos é a chave do desenvolvimento. Questionar constantemente o papel do professor é fator de desmotivação, fator de desânimo. Este, que investe tanto no seu percurso, investe em formação, em planificação, em preparação, é permanentemente confrontado com pareceres e opiniões da comunidade sobre o seu trabalho. Quantas vezes se discute a metodologia do médico, do engenheiro, do sapateiro ou do carpinteiro para a realização do seu trabalho?

É comum aceitar-se que toda a sociedade entende, domina, tem opinião fundamentada sobre a prática educativa, os processos de aprendizagem, as estratégias a aplicar para o desenvolvimento das competências necessárias à formação de cidadãos ativos e interventivos. Uma sala de aula é um espaço de uma tal riqueza de interações, de motivações, de aprendizagens, onde só um técnico tão credenciado, como o é o professor, pode agir e delinear, articulando com os restantes intervenientes do processo educativo, caminhos de sucesso. Quando todos compreendermos e respeitarmos o papel do professor, podemos acreditar que a escola deu mais um passo, um passo fundamental para a construção de verdadeiras aprendizagens e sério desenvolvimento dos currículos!

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