Correio do Minho

Braga, terça-feira

A outra face do sucesso

“Novo tabaco” mata 600 mil crianças por ano

Escreve quem sabe

2015-11-22 às 06h00

Joana Silva

Numa definição linear, o sucesso significa, visibilidade, popularidade, a conquista de bons resultados. O sucesso está patente em todas as profissões desde: uma pastelaria que se prima pela excelência ao público; um cabeleireiro que se destaca pela criatividade na elaboração de penteados; um calceteiro que coloca as pedras da calçada milimetricamente como as suas mãos fossem uma régua; e, um professor inflamado pela paixão das letras que consegue cativar os alunos para a leitura.

O sucesso não depende exclusivamente de habilitações literárias (mais estudos ou menos estudos) depende daquilo que é intimamente do ser da pessoa, ou seja, de características pessoais determinação, motivação, foco e persistência e das aprendizagens profissionais inarráveis. Não se aplica aqueles que ao primeiro obstáculo desanimam e “perdem o norte”. Qualquer pessoa gosta de ser reconhecida, sobretudo aqueles que gostam do que realmente fazem, e o lado mais “negro” do sucesso passa pela relação díspar daqueles que são vencedores e dos que não o são. Tal como todas as rosas tem espinhos, o sucesso não é exceção.

Esconde sacrifícios sobretudo de ordem emocional (falta de tempo para as esferas amorosa e familiar), por vezes até, com consequências (i)remediáveis. Trabalham muito, não cumprem com um horário de 7/8horas por dia de segunda a sexta-feira, e as noites mal dormidas são a sua companhia. Mas esse é o lado que os que não vencem se recusam a ver. O sorriso estampado na cara do vencedor incomoda assim como as conquistas profissionais que cada vez lhe dão cada vez mais destaque. Essa visibilidade dá aso a comentários mal-intencionados que normalmente insinuam atitudes reprováveis pela sociedade e que não correspondem à verdade dos factos.

Não é anormal ouvir-se, conseguiu porque: “(…) deu o golpe no baú”, “(…) porque sabe é viver”, “(…) anda em negócios obscuros” etc. O que é certo é diria até mesmo raro ouvir , conseguiu porque: “(…) esforçou-se muito”, “(…) sacrificou as suas poupanças para ir atrás de um sonho”. Elogiar é algo difícil pois “se eu não tenho visibilidade, o outro não tem que ter, ponto”. Os não vencedores tendem a operacionalizar esquemas que tem como finalidade boicotar o trabalho e fazer pressão emocional “Só conseguiste porque X te ajudou a terminar”, “Falas bem mas é só dos livros que lês”.

Os mais “cegos” pelos ciúmes chegam até a ser mais ousados e pouco parcos nas palavras, “Eu faria melhor do que tu”. Também não é de todo incomum que amigos ou colegas mais próximos se afastem (“Santos da beira da casa, não fizeram milagres”) sem motivo aparente, ou se alguém criticar por motivos sem nexo. Os ciúmes profissionais conduzem a atitudes reprováveis e os vencedores no sentido de “calar as bocas mal-intencionadas”, trabalham ainda mais a fim de provar o que não tem de provar e ao longo do tempo o cansaço mental dá lugar.

A outra face do sucesso, é na verdade lidar com os ciúmes daquele que não vence. Lembre-se, há os que fazem marketing por eles próprios e por mais que tentem não conseguem a visibilidade que tanto almejam. O melhor marketing é feito pela voz do povo e essa voz, ninguém a cala!

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