Correio do Minho

Braga,

A Páscoa na vida de um escuteiro

Patologia respiratória no idoso

Escreve quem sabe

2015-04-03 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Terminei o último artigo com a expressão que o próprio Cristo utilizou para se identificar:

«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,6), para poder fazer a ligação com o artigo de hoje que será publicado durante o tríduo pascal, tendo já terminado o percurso quaresmal e aproximando-se o Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor.
Todo o escuteiro católico deve aproveitar estes tempos para olhar a montante e refletir criticamente sobre o seu percurso de vida. Se terá valido a pena ter festejado o Natal, com grande festa e alegria, se, até ao dia de hoje - dia da Morte do Senhor -, ainda não encontramos «o Caminho», se ainda não descobrimos «a Verdade» e se ainda não conhecemos «a Vida»?
Na Sexta-feira Santa, Jesus morreu mesmo, não foi uma encenação ou um filme, pois como diz o ator Joaquim de Almeida «a vida não é um filme»! Sobretudo os educadores católicos, mais do que sentir as dores de Cristo na flagelação, na coroação de espinhos, na crucificação, na traição dos amigos, na má fé dos “juízes”, na ingratidão da multidão, nos insultos dos “mirones”, na nudez pública a que foi sujeito ou ainda no sentimento de abandono profundo quando clama «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonas-te?» (Mt 27,46). Se alguns de nós nunca sentimos estas sensações, mas sobretudo se não as vivemos com compreensão e com amor ao próximo, é porque ainda não encontramos verdadeiramente o «Caminho» do Senhor e ainda não estamos preparados para a «Verdade» do Amor, nem para a «Vida» em Cristo. Uma vida de liberdade, como nos dizia Santo Agostinho «Ama, e faz o que desejas!» ou ainda como reconhece Madre Teresa da Calcutá «Eu sabia que devia seguir Cristo, virando-me para os que, à semelhança de Jesus, não têm onde pousar a cabeça» e com a certeza expressa por Bento XVI «não tenhais medo de Cristo, ele não tira nada e dá tudo!»

É experimentado esta «Vida» que apreendemos a verdadeira dimensão do significado da Páscoa, na nossa vida de escuteiro, tal como foi testemunhado por São Paulo «Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive, enquanto alguns já morreram. Depois apareceu a Tiago e, a seguir, a todos os Apóstolos.» (1Cor 15,3-7).

Os Evangelistas retratam várias das aparições de Cristo Ressuscitado, mas é o diálogo com Tomé na aparição aos Apóstolos: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!» (Jo 20, 27-29), são as palavras de Jesus que nos dão alento e esperança. Como é também marcante o testemunho dos discípulos de Emaús: «Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»

Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!» E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão.» (Lc 24, 32-35).

Finalmente, aproveito a quadra festiva para apresentar a todos os leitores votos Santa Páscoa, na companhia das palavras de Santa Teresa de Jesus: «Se estais alegres, vede-O ressuscitado: só O imaginar como saiu do sepulcro vos alegrará. Com quanta claridade e com que formosura! que majestade! quão vitorioso e alegre! Como quem se saiu tão bem da batalha onde ganhou um tão grande reino, o qual quer todo para vós e a Si mesmo com ele. Será, pois, muito que, a quem tanto vos dá, volvais uma vez os olhos a fitá-l'O?»

1in, Caminho de Perfeição, 26, 4

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