Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A política do momento

O Estado da União

Ideias Políticas

2014-09-23 às 06h00

Hugo Soares

Os dias que passam são pródigos em notícias e ‘noticiazinha’ que - nem o mais atento - consegue captar e, pior de tudo, filtrar.

1- As primárias no PS: O partido socialista decide no final desta semana o seu futuro coletivo. Estas eleições seriam para os portugueses de interesse menor não estivesse em causa a escolha do candidato a Primeiro-Ministro do maior partido da oposição e de um partido estruturante da democracia portuguesa. É verdade que a importância do PS não encontra respaldo, na minha modesta opinião, nem nos anos de governação Sócrates (foram catastróficos para Portugal) nem na forma incapaz de gerar alternativa e/ou consensos que têm marcado os últimos três anos. Portugal precisa de um PS responsável, equilibrado e, sobretudo, capaz de colocar o interesse nacional à frente do interesse partidário. Ora, quem tem acompanhado a campanha dos ‘Antónios’ não pode augurar nada de bom. O tom da crítica - que raia o insulto - coloca a política que deveria ser nobre num patamar demasiado indigno. Mas, fundamentalmente, o que merece preocupação é a falta de propostas e soluções concretas para o País. O PS destes ‘Antónios’ é um PS refém de um passado que levou o País à Troika e que parece querer voltar ao passado. Costa - que alguns julgavam um messias - quer dar um golpe de misericórdia e salvar a carreira política; mandou às ‘malvas’ Lisboa, rodeou-se dos socráticos e, com um conjunto de generalidades, quer ganhar o Partido. E sobre educação? Ou saúde? E sobre finanças públicas e redução do défice? Alguma ideia, proposta ou reforma? Zero. Já Seguro encontra-se preso na encruzilhada do passado com um futuro que não perspectiva. Parece melhor preparado e coloca na agenda temas fundamentais como a reforma do sistema político. Falta-lhe, na minha opinião, coragem para assumir a necessidade de reformar o Estado e sentar-se à mesa para discutir a sustentabilidade da Segurança Social. Assim vai o PS e não vai nada bem. Um apontamento final para deixar o meu vaticínio: ganha Seguro e acabam para sempre as primárias em Portugal.

2- Pedro Passos Coelho e a Tecnoforma: De tempos em tempos lá vem a ‘noticiazinha’ que pretende ligar o atual Primeiro-Ministro a irregularidades ou ilegalidades decorrentes da sua vida profissional fora da política. Bem sei que os mentores destas parangonas não estavam habituados a ter Primeiros-Ministros que fizeram vida no privado e têm no seu percurso bem mais atividade do que os cargos partidários e políticos. Desta feita, dizia-se que Passos Coelho teria sido remunerado por funções que exercia numa empresa particular ao mesmo tempo que estaria em exclusividade no Parlamento. Passos Coelho, com a tranquilidade que se lhe conhece, não se apressou a mostrar a indignação própria dos culpados ou a vitimizar-se. Apenas disse: estou convicto que cumpri a lei, mas as instituições que se pronunciem. Ora, veio Parlamento Português demonstrar documentalmente et urbi et orbi que, afinal, o então deputado Pedro Passos Coelho não esteve em exclusividade (não sendo por isso remunerado dessa forma) no período que o acusavam de ter acumulado indevidamente aqueles rendimentos. A lama atinge todos. Mas há uns com a cara mais lavada do que outros. O ponto de reflexão deve estar centrado na forma como hoje ‘alegadamente’ noticiazinhas tentam vexar cidadãos com vida pública, sejam ou eles políticos ou vedetas do cor-de-rosa. À consideração dos senhores diretores de jornais.

3- Marinho e Pinto: O demagogo cá do burgo continua na sua senda. Utilizou o Movimento Partido da Terra como barriga de aluguer e o Parlamento Europeu como mini trampolim. Pelo meio marimba-se no MPT e não cumpre o mandato para o qual foi eleito. Diz tudo (e o seu contrário) que julga o povo quer ouvir e continua alegremente a encher o espaço lúdico das nossas manhãs. Já alguém o ouvi dizer o que defende para baixar o défice? E o que defende para a saúde e a educação? E no que diz respeito à sustentabilidade do Estado Social? Marinho e Pinto é uma espécie de Beppe Grillo da política Portuguesa. Aqui fica o meu vaticínio: vai como veio. Um epifenómeno que os portugueses rejeitarão.

4- O País: No meio disto tudo, o desemprego continua a descer, a economia a crescer, Portugal sobe nos rankings internacionais de competitividade, as reformas estruturais continuam e o financiamento do Estado faz-se a juros históricos. Este é o País com futuro que queremos que os Portugueses comecem a sentir no seu dia-a-dia.

5- Em Braga: A Noite Branca foi um sucesso e a gestão de proximidade continua. Direita aos problemas das pessoas. A ‘noticiazinha’, por cá, foi a Agere. Os responsáveis pela lei que obriga ao contrato de gestão delegada, os responsáveis pela privatização de 49% do capital da Agere quiseram fazer política pouco informada. Por ignorância ou má-fé. Cá, como no país, precisamos de melhor oposição e melhor PS. Que fique claro: o contrato de gestão delegada não beneficia os privados; a Agere continua a ser detida maioritariamente - como era - pela Câmara Municipal de Braga; o preço da água não vai subir por causa deste contrato; a transparência e a clareza foram marca deste processo (repito: a ignorância ou a má fé é que distrai...).

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