Correio do Minho

Braga, terça-feira

A Política, os Partidos e a Democracia

Um excelente exemplo de branding

Ideias Políticas

2014-09-09 às 06h00

Pedro Sousa

Dedicar-me-ei, hoje, a uma pequena reflexão sobre a política, sobre a democracia, sobre assuas forças, as suas fraquezas, sobre o seu presente mas, sobretudo, sobre o seu futuro.
Sou daqueles que defende que a Política, os Partidos e a Democracia são indissociáveis e não podem, nunca, existir uns sem os outros. Necessitam uns dos outros e quanto melhor for o estado de saúde, a vitalidade e a boa forma da Política e dos Partidos melhor estará, certamente, a Democracia.

 Infelizmente, os últimos anos têm dado demasiados exemplos de que os Partidos e a(s) Política(s) não estão bem, o que, necessariamente, se tem traduzido, também, num decréscimo da qualidade da nossa Democracia.

Lembrar, aqui, uma frase de Winston Churchill: “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras que foram experimentadas”. Partindo deste pressuposto, é urgente perceber o porquê de serem cada vez menos, cerca de 56%, os Portugueses que afirmam que “... a Democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”. Estes dados, relativos a um grande estudo de opinião realizado em todo o País, em 2012, contrastam fortemente com os de um estudo similar realizado apenas sete anos antes e onde eram, ainda, 83% os Portugueses que concordavam com a afirmação de que a Democracia é preferível a qualquer outra forma de Governo. Temos, então, que a Democracia Portuguesa está enferma, fraca, como fraco está qualquer sistema político que vai perdendo ancoragem social. Não estará mais do que na hora, antes que seja demasiado tarde, de perguntarmos porque é que isto está a acontecer? Porque é que a Democracia está a ser posta em causa? Serámais culpa da Democracia? Será mais culpa dos Partidos? Será mais culpa da(s) Política(s)?

Sendo a Democracia uma forma de Governo, uma forma de organização sócio-política, entendo que a Democracia é a soma das partes, é o resultado a que chegamos, pelo que o problema tem de estar nos factores, nas partes, nos Partidos e na(s) Política(s).
Sem grande espaço para uma reflexão muito profunda e densificada, apontar duas ou três questões que me parecem decisivas para o desgaste da Democracia.

A(s) política(s). As décadas de 80 e 90, em Portugal e na Europa, foram de grande expansão económica e social, muita dela artificial e alavancada no crédito, é um facto, mas foram, também, anos de políticas sociais expansionistas, tendo as pessoas assistido a um enorme crescimento dos seus direitos. Direitos, estes, que colocaram o patamar do bem estar num plano justo, equilibrado e que não deveria, no meu entender, admitir retrocessos. Esse é, aliás, no meu entender, um dos motivos que, nos últimos anos, mais fez depreciar a relação de confiança das pessoas face à política.

A crise global de 2008/2009 foi de tal forma forte que levou, em muitos Países, ao descontrolo das contas públicas. Nesse momento, e quando se exigiam medidas e políticas Europeias, Comunitárias, estruturantes e assertivas, a Europa andou mal, criou programas de austeridade em muitos Países, retirou direitos aos cidadãos, cortou pensões, cortou salários, tudo isto ao mesmo tempo que, em muitos desses Países, se assistia à criação de milionárias parcerias público privadas, a isenções fiscais de dezenas de milhões de euros a certos grupos económicos, entre outras coisas.

A somar a tudo isto, temos Partidos que parecem ter-se esquecido do seu papel, da sua identidade e da sua razão de existir. Os Partidos servem, ou melhor, devem servir para, no respeito pela sua linha ideológica, em coerência com o seu modelo de sociedade, serem porta-vozes das preocupações das pessoas, dos seus problemas, das suas dificuldades, construindo propostas que permitam responder às mesmas, mas hoje, infelizmente, os Partidos, não raras vezes, não fazem isto, perdendo-se, pelo contrário, em guerras intestinais pelo poder, onde o oportunismo é a palavra de ordem e cada um parece estar bem desde que vá conseguindo alimentar o seu pequeno ego, perdendo-se numa torpe e mesquinha intervenção aos olhos das pessoas que, cada vez mais, olham de lado para a(s) política(s), rejeitam a prática dos Partidos e se afastam da Democracia.

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