Correio do Minho

Braga, sexta-feira

A porta aberta… de S. Bento

Amarelos há muitos...

Conta o Leitor

2016-08-18 às 06h00

Escritor

Félix Dias Soares

Desde muito cedo, a Península Ibérica foi evangelizada. Ainda sob ocupação dos Romanos, construíram-se os primeiros lugares de Culto. Com a independência de Portugal, a região norte foi pioneira na implantação do Cristianismo e sua propagação.

Mais tarde D. Sancho I, conhecido como (povoador), a partir de 1186 promoveu o povoamento do território com a criação de estímulos para o desenvolvimento económico de todo o reino, em especial na zona norte e nas fronteiras, concedeu privilégios e isenções de vária ordem, de modo a atrair moradores para os lugares mais desertos. O povoamento de pequenas aldeias dispersas e de fracas acessibilidades era necessário. Esse movimento de pessoas teve um forte impacto na construção de Capelas que vieram complementar os serviços prestados pelas Igrejas Matrizes, a partir do século catorze. Acrescentando por regra, espaços de culto para os lugares mais distantes das paróquias, mas também muito importantes, no desenvolvimento cultural e social.

Assim, em 1614 o Reverendo Cónego, Miguel Pinheiro Figueira, ao visitar as freguesias entre o Homem e o Cávado, também visitou a Freguesia de Rio Caldo, onde verificou, que o lugar da Seara da Forcadela ficava muito distante da Igreja Paroquial, o que tornava difícil a administração dos Sacramentos aos seus moradores. Para diminuir essa dificuldade, ordenou ao Abade da paróquia, Padre João Rodrigues, que até ao Natal seguinte, manda-se construir uma pequena Capela no referido lugar, por ser muito necessário.

O Abade pôs mãos à obra dando a Capela por concluída em princípios de Junho de 1615. Em 29 do mesmo mês, o S.r Arcebispo Primaz, deu licença para fazer Altar e dizer Missa, e nela fazer todos os Ofícios Divinos, sem prejudicar os direitos da Igreja Matriz. O documento fala de uma capela com alpendre na frente, a que deram o nome de Ermida, de telhado caiado e forrada a madeira de oliveira, com um nicho de 6 palmos e meio, onde está o S. Bento de 4 palmos. Sempre que havia atividades na Capela todos os paramentos e ornamentos vinham da Igreja Matriz, ali, havia apenas o Santo, não havia nada de valor que pudesse ser furtado. Foi por iniciativa do Parco da paróquia João Rodrigues, que a Capela foi dedicada a S. Bento, o que não foi do consenso de todos os Paroquianos.

Durante mais de 200 anos, S. Bento foi apenas um lugar de passagem e repouso dos peregrinos que se dirigiam para a Sr.ª da Abadia. O grande desenvolvimento do Culto a S. Bento deu-se no início do século 18, data em que a Capela se chamava apenas Capela de S. Bento, só anos mais tarde se acrescentou “da porta aberta” por a sua porta estar sempre aberta. Os peregrinos com destino à Senhora da Abadia, pernoitavam debaixo do alpendre, mas não havia espaço para todos, os invernos eram rigorosos e longos nesse tempo, então, o Acipreste Padre João José Peixoto, em 1845 tomou a iniciativa de deixar a porta aberta, para que todos se pudessem abrigar da chuva e do frio. A partir desta data, os peregrinos começaram a chamar-lhe S. Bento da Porta Aberta e assim começou a grande devoção a S. Bentinho, todos os que por ali passavam deixavam a merecida esmola, para agradecer a S. Bentinho o repouso ao abrigo da sua Capela, era ali que descansavam e recuperavam forças para atravessar o monte que separava a Capelinha de S. Bento, do Santuário da Abadia. Era grande o número de romeiros e de peregrinos que a pé se deslocavam à Abadia, o lugar de Culto mais antigo de Portugal.

Hoje há um grande Santuário, começou a ser construído em 1880 e concluído 15 anos depois, em 1895, nos últimos anos fizeram-se obras de grande vulto que todos nós conhecemos. Em 2013 foi pedido a classificação de Basílica, tendo-lhe sido atribuído a 21 de março de 2015 pelo Papa Francisco, pela comemoração dos 400 anos de Culto neste local.

S. Bento nasceu em Itália na cidade de Núrsia em 24 de Março do ano 480, duma família Cristã, viveu a defender a religião, os pobres e doentes, fundou a Ordem Beneditina, para continuar ajudar os mais necessitados após sua morte. Morreu a 21 de Março de 547, com 67 anos. Multidões de todas as classes sociais, recorrem todo o ano a S. Bentinho da porta Aberta, a sua devoção não tem fronteiras. Foi proclamado Padroeiro da Europa em 1964, pelo Papa Paulo VI, homenageando assim, este local de Culto e todos os peregrinos que o visitam.

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