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A previsão do futuro

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A previsão do futuro

Ideias

2022-09-30 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

políticos, comentadores e analistas. Procura antecipar-se o futuro, uma preocupação antiga, bem antiga.
Conta-se que já 2500 anos atrás, em Delfos, na Grécia, o Oráculo era frequentado por reis e nobres, que o procuravam para obter respostas a questões complexas pessoais e políticas. As respostas, na maioria das vezes enigmáticas, eram interpretadas certamente no interesse dos decisores, e por essa via acabaram por influenciar a construção da história. Foram aparecendo muitas alternativas ao Oráculo de Delfos, mas sempre se passava pela interpretação de sinais.

Pelo séc. XVI, viveu em França um vidente de renome, cujas profecias chegaram até hoje. Nostradamus publicou uma longa série de quadras que foram sendo creditadas pela imprensa popular como tendo previsto os mais diversos acontecimentos, incluindo as guerras mundiais do séc. XX, e pasme-se, até o falecimento agora da Rainha Isabel II. Uma dessas previsões tem a ver com o fim do mundo; já esteve “marcado” para as mais diversas datas, parece que a ultima era 2012!. Tudo se baseia, claro, na interpretação de sinais, e no seu recurso para a previsão do futuro. Não critiquemos de imediato – quem não gosta de espreitar os horóscopos?
Pelo contrário, o método científico parte da análise sistemática de factos, a que se seguem experiências, deduções lógicas e comprovação científica dos resultados obtidos. A partir de um dado modelo, de um conjunto de hipóteses, ficam permitidas previsões. Mas as previsões têm na sua base probabilidades, com base em informação; e o consenso que pode ser gerado sobre as previsões depende do grau de incerteza.

O grau de incerteza que rodeia a economia e a politica mundial é muito elevado, e nas ultimas semanas com a decisão de Putin sobre a mobilização, a crescente chantagem sobre a potencial utilização do nuclear e a sabotagem no gasoduto russo, o resultado das eleições em Itália que trouxe de volta a extrema direita a um país fundador da União Europeia, a marcada instabilidade económica na Inglaterra, as coisas foram-se ainda tornando mais complexas. Quase apetece não fazer qualquer tipo de previsão, e esperar que tudo se resolva pelo melhor, numa onda de puro otimismo!
Ainda assim, embora sem consenso, não se antevê que 2023 seja o ano de todas as possibilidades. Um pouco por todo o mundo, os bancos centrais estão a deixar que as taxas de juro aumentem para controlar a inflação. O que se discute é se esse aumento é , ou não , lento ou tardio de mais, mas de qualquer forma é claro um certo tipo de acordo latente entre os decisores da política monetária na maior parte dos países , incluindo a União Europeia. È legitimo prever que vão continuar a aumentar, trazendo consigo um ajustamento para baixo da procura face a uma atividade produtiva marcada pelos aumentos dos preços da energia e pelos estrangulamentos nas cadeias logísticas. Dito de outra forma, recessão.

A seriedade da recessão vai depender do comportamento das empresas, da capacidade para efetuar investimentos adicionais e criar condições reais para o aumento da produtividade, fundamental para que exista crescimento económico e redução da pobreza. Uma indicação positiva é que a taxa de desemprego não tem aumentado; na zona Euro, em junho estava mais baixa que nesse mês de 2021, e em Portugal era mesmo inferior.
Irá depender também da estabilidade política e dos níveis de confiança dos consumidores e empresários. Entrar em gincanas políticas e discussões de café, ampliadas pelas redes sociais e comunicação social poderá ocupar o tempo e distrair, mas contribuirá para acrescer os níveis envolventes de incerteza. É importante que as famílias mais vulneráveis, mais pobres, sejam ajudadas. O recurso a política fiscal como forma de apoio às empresas em Portugal é objeto de discussão; o número de empresas que não pagam IRC de todo é elevado, pelo que a redução da taxa teria um impacto no máximo apenas marginal. E de uma forma geral, tudo vai depender da forma como a globalização evoluir – é importante que sejam reforçadas as redes de comércio mundial. Mas num ambiente de guerra, com nacionalismos crescentes, não vais ser fácil…
O melhor mesmo é não nos tentarmos por a adivinhar !

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