Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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A Promessa Escutista

Chegou uma banda desenhada de sucesso...

Escreve quem sabe

2016-02-26 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Há quatro anos, mais precisamente, no dia 10 de fevereiro de 2012, publicamos um artigo A Lei e a Promessa do Escuta, onde, muito sinteticamente, abordamos esta questão. Hoje, na sequência de um conjunto de artigos sobre a Lei e os Princípios do Escutismo, dedicar-nos-emos a refletir sobre a Promessa Escutista que apresenta a seguinte fórmula:
«Prometo, pela minha honra e com a graça de Deus, fazer todo o possível por:
1. Cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria;
2. Auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias;
3. Obedecer à Lei do Escuta.»
O Escuteiro faz a sua Promessa depois de passar um tempo no escutismo para conhecer e experimentar os seus valores e o seu modus operandi, é um tempo de preparar, conscientemente, uma opção, com a naturalidade expressa pelo conselho da raposa ao principezinho: «Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos… [...] Os homens já não se lembram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa…». É ao assumir este compromisso que o jovem se torna um verdadeiro escuteiro.
Detenhamos a nossa atenção sobre o texto da Promessa. Tradicionalmente, este tipo de compromissos exprime-se sob a fórmula de um juramento: “juro”, aqui é usado o verbo “prometer”, acomodado pela expressão, “pela minha honra e com a graça de Deus”, centrando a vontade de fazer a promessa no próprio sujeito e a fazê-la em plena liberdade, de forma responsável - evocando a sua honra, mas consciente das suas limitações - invocando a graça de Deus. Finalmente, a parte final da frase: “fazer todo o possível por”, marca que este compromisso, mais que um ato, é um processo contínuo e gradativo de progressão, como que um “Caminho de Perfeição” no exercício da cidadania, no qual o jovem procura, através do seu esforço, evoluir permanentemente, no sentido de ser, cada vez mais e melhor cidadão.
O primeiro artigo: “Cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria”, remete-nos para uma dimensão de cidadão universal, colocando a tónica nos contributos, e não nos benefícios, leia-se direitos, numa cidadania ativa, formando a consciência que as rela- ções com Deus, com a Igreja e com a Pátria são marcadas pela vontade e pela ação do Homem, daí que, este cumprir, seja uma questão de Honra, isto é, de disponibilidade e vontade interior de cada um para o materializar. Esta forma de agir leva o jovem escuteiro a assumir os valores da sua Fé, da sua Igreja e da sua Pátria, incorporando-os na sua forma de vida, sem pensar nos dividendos (direitos), mas sabendo que, desta forma, os está potencializando, não só os dele, como os dos outros.
O segundo artigo: “Auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias”, focaliza-se nas atitudes enquadradoras da ação do jovem escuteiro - o amor e o serviço ao próximo, sem hesitações e sem marginalizações. Estas atitudes serão sempre marcadas pela gratuitidade e pela prioridade dos mais desfavorecidos e marginalizados.
Finalmente, o terceiro artigo: “Obedecer à Lei do Escuta”, evoca o quadro de valores do Escutismo que ajudam o jovem escuteiro na aprendizagem da arte de ser um cidadão de “corpo inteiro”.
Para terminar, a Promessa Escutista exprime um compromisso do jovem escuta, em primeiro lugar, para com ele próprio, e, em segundo lugar, para o seu mundo, seja no plano da fé que professa e da comunidade religiosa onde a vive, seja do país que o viu nascer ou da sociedade que o acolhe ou ainda dos pequenos grupos onde se insere. É, também, um compromisso com a justiça e a paz, ao impregnar as relações com o outro, com os sentimentos do Amor e do Serviço. Enfim, é um compromisso pedagógico que valoriza a pedagogia do erro, permitindo que o percurso seja feito de aprendizagens com os êxitos e os erros, e que coloca o jovem no centro da ação, institucional e social, iluminado pelos valores expressos na Lei do Escuta.

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