Correio do Minho

Braga, terça-feira

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A Promoção do Pingo Doce

Regionalização e representação territorial

Ideias

2012-05-11 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Já muito se disse sobre a promoção do Pingo Doce, mas acho que, apesar de tudo, é importante estruturar o problema e tirar algumas conclusões.

A maior parte dos analistas insurgiu-se contra o que consideram um espetáculo degradante num 1º de Maio em que era suposto os trabalhadores marcharem contra o desemprego e aumento de custo de vida.

O poder político chutou para canto. Assim, o Presidente da República, questionado, disse, esfingicamente, que não podia responder porque não tinha todos os dados do problema. O seráfico Ministro da Economia declarou que era preciso averiguar os contornos da operação, mas que estas iniciativas eram comuns em vários países do mundo.

A Ministra da Agricultura declarou-se preocupada com o abuso de poder das grandes distribuidoras relativamente aos produtores. E diz-se, por exemplo, que a alface é vendida 80% mais cara que o preço pago aos produtores agrícolas. Por sua vez a ASAE suspeita que existem práticas ilegais na promoção do grupo Jerónimo Martins e terá elaborado autos a entregar na Autoridade da Concorrência.

A Jerónimo Martins defende-se, dizendo que se trata duma mera operação de marketing, usual noutros países e que, portanto, o seu comportamento não é repreensível. De resto, que o país está tão mal que pretendeu dar um exemplo e um contributo de como se pode aliviar o empobrecimento dos portugueses.

É verdade que se tratou duma operação de marketing, destinada a branquear a imagem de um grupo que mudou a sua sede para a Holanda, a fim de pagar menos IRC. Mas também não foi por acaso que foi escolhido o primeiro dia do mês porque as pessoas ainda têm dinheiro e Maio talvez por erro de cálculo ou não. Efetivamente ficou clara a situação social e económica do país que explica esta corrida desenfreada ao hipermercado.

E o governo deveria refletir sobre o caminho a que estas políticas conduzem. Talvez não falte muito para que afinal os portugueses não se achem culpados desta situação. E então lá se vai o ajustamento de que fala o Ministro Gaspar.

Mas este caso demonstra bem que os hipermercados têm lucros, em média, superiores a 50 %, pois ninguém acredita que o Pingo Doce perdesse dinheiro com esta operação publicitária. Por outro lado, representa uma luta entre grandes superfícies pela maior fatia do mercado.

Nada que não se soubesse. O país de há vários anos vai sendo sucessivamente presa dos grandes grupos económicos. As empresas públicas aumentam a dívida, o Estado vende as participações em empresas lucrativas. O papel do poder político é o de gestor da paz social. Os portugueses são continuamente ameaçados de que se não aceitam o empobrecimento ficarão ainda pior. E quem não se sentir bem, que emigre.

E, entretanto não há culpados. Um transitou para Belém, assistindo esfingicamente ao terramoto em que o país mergulhou; o outro foi para o Comissariado dos Refugiados das Nações Unidas; outro transferiu-se para a Comissão Europeia; outro anda por aí; outro frequenta aulas em Paris; e estes devem estar a estudar a forma como sair disto e voltar à emigração.

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