Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A proteção das crianças desprotegidas!

O mito do roubo de trabalho

Voz às Escolas

2015-04-20 às 06h00

Maria da Graça Moura

Considera-se que a criança ou o jovem está em perigo quando está abandonada ou vive entregue a si própria, sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais, não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e situação pessoal, é obrigada a atividades ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento, está sujeita, de forma direta ou indireta, a comportamentos que afetem gravemente a sua segurança ou o seu equilíbrio emocional, assume comportamentos ou se entrega a atividades ou consumos que afetem gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento sem que os pais, o representante legal ou quem tenha a guarda de facto se lhes oponham de modo adequado a remover essa situação. (Lei de proteção de crianças e jovens em perigo).

Nas escolas do nosso país crescem milhares de crianças e jovens, rodeados de professores, educadores, formadores, assistentes, um sem número de protagonistas do processo educativo, cuja missão, além da transmissão de conhecimentos curriculares e de integração social, se desmembra em funções que, de tão diversas, são de difícil registo! A grande, grande maioria das crianças e jovens, têm naturalmente a família como suporte estrutural de formação e crescimento.

Mas as que não a têm preocupam-nos, envolvem-nos emocionalmente e deixam em nós a sensação de incapacidade quase total e um sabor amargo de insucesso. É, infelizmente, cada vez mais comum a chegada às escolas de alunos que, sendo retirados às famílias, são entregues a instituições. E como vai a escola, tão assoberbada de solicitações, com tantas dimensões a explorar, um currículo extenso a cumprir, rankings baseados na competência académica, estatísticas de abandono escolar, de sucesso/insucesso a superar, e com tanto apoio a dar, responder de forma a recuperar estes alunos, sem brilho no olhar, fartos de rejeição, de desamor, do abandono, crescendo no seio de negligência, envolvidos no desinteresse, sem apoio afetivo, que nunca conheceram o carinho que estrutura os alicerces da personalidade?

Chegam às escolas com tantas necessidades! Como pode a escola dar a quem precisa tanto? Como pode a escola colmatar o enfraquecido estado emocional de uma criança, de um jovem, que se encontra destroçado, retirado da sua família, por incapacidade de a mesma tomar conta dos seus?
O esforço é enorme, todos se envolvem para que resulte, mas terão que ser dotadas de recursos humanos suficientes para acompanhar as infindáveis necessidades destes alunos, com todo o respeito que merece a sua situação. Estas crianças, estes jovens, devem ser acompanhados por psicólogos e assistentes sociais que, conjuntamente com os professores, procurarão mudar o seu caminho e ajudá-los a recuperar a sua autoestima!

De outra forma estaremos a produzir revolta ao contribuir para que, de novo, se sintam rejeitados. Reproduziremos insucessos irrecuperáveis! Prejudicaremos vidas, enterrando a cabeça na areia!
E, tão preocupados por cumprir o regulamentado para proteger, retirando as vítimas do espaço agressivo, esquecemo-nos que também nós estamos a agredir, em nome da proteção!
E, neste âmbito, todos temos responsabilidades!

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