Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A reconfiguração dos cuidados de saúde primários

Um convite da Comissão Europeia para quem gosta de línguas

Conta o Leitor

2010-11-09 às 06h00

Leitor

A reconfiguração dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) tem implicado alterações profundas na organização e oferta de cuidados de saúde à população. O objectivo desta reestruturação passa pela acessibilidade aos cuidados, pela gestão dos recursos humanos alocados e pelo cumprimento de metas de saúde, traduzidos por indicadores elaborados para o efeito.

Esta reconfiguração encontra-se no terreno, e apesar dos esforços na sua consubstanciação, está a ser penalizada pela actual conjuntura de crise, que, inexoravelmente, condiciona todo o processo. Com esta, de forma tímida mas promissora, nasceu um novo paradigma de cuidados, que acreditamos, influenciará, deste ponto em diante, os CSP - são as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC). Estas unidades, adstritas aos respectivos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), laboram na sua dependência funcional, sendo que a meta aludida pelo Ministério da Saúde é de uma UCC por cada centro de saúde, embora a Ordem dos Enfermei-ros seja da opinião que estas unidades devam ser em maior número para que esta reforma não seja penalizada no seu âmago!

As UCC são compostas por uma equipa multidisciplinar (enfermeiros, médicos, psicólogos, assistentes sociais, entre outros), coordenadas por um enfermeiro, que visam prestar cuidados assistenciais no próprio contexto vivencial - domicílios, lares, escolas, empresas, etc. - no âmbito da promoção da saúde. É multifacetada e permite uma acessibilidade da população aos profissionais de saúde num talhe nunca protagonizado no nosso país.
Os enfermeiros desempenham neste âmbito um papel crucial, que se ajusta perfeitamente a umas das muitas vertentes da profissão: prevenção da doença, promoção da saúde e reabilitação, para além da dimensão curativa.

Este facto permite que toda a organização da oferta de cuidados seja perspectivado de acordo com os princípios que regem a Enfermagem, com ganhos evidentes para os utentes, ao nível da acessibilidade, equidade, promoção, prevenção, proximidade, acompanhamento, dinamização e gestão de tudo o que diz respeito às necessidades dos utentes do SNS.

A forma como a Medicina e a Enfermagem perspectivam a estruturação do sector é bastante díspar. Enquanto a Medicina se debruça, quase exclusivamente, sobre a patologia e a medicalização da saúde, a Enfermagem, apesar de um certo desconhecimento da população, rege-se por princípios personalizados e humanos, subjacentes a conceitos inovadores e de maior espectro na saúde, que não a mera ausência de doença, mas sim, focando o alvo dos seus cuidados - a Pessoa (individual e colectiva) na procura dos seus projectos de saúde, conduzindo à sua autonomia na aquisição do bem-estar físico, psicológico, social, cultural e espiritual.

Portugal centra a sua preocupação na hospitalização, mas o que se preconiza é precisamente o inverso. É por esse motivo que a face mais importante e essencial de qualquer sistema de saúde são os CSP e, consequentemente, os enfermeiros.

Germano Couto - Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros

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