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A rentrée política

Três em linha para uma sardinha

A rentrée política

Ideias

2023-09-22 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Muitos fatos políticos ocorreram durante as duas primeiras semanas de setembro. O BCE tornou a subir as taxas de juro, com a convicção que só, desta forma, se pode controlar a inflação. É a doutrina clássica. Mas, como tudo em economia, as relações não são lineares, isto é, se os salários subirem, ou se os governos adotarem medidas sociais de controlo dos estragos provocados pela subida dos preços, então de nada vale a medida tomada pelo BCE. Entretanto, a economia europeia está a caminhar para a estagnação e o desemprego a aumentar.
Os preços da habitação continuam a subir, e tendo o governo adotado um conjunto de medidas, foram criticadas pela oposição e pelo próprio Presidente da República. Mas não apresentam alternativas; e, não se sabe o que fazer mais no curto prazo.
O antigo Presidente da República, Cavaco Silva, lançou mais um livro sobre a “arte de governar”. Diz que não é contra António Costa, mas está lá tudo o que tem feito e o que não deveria ter feito. Em resumo, a responsabilidade da situação de crise do país é de António Costa que não sabe governar. Se estivesse lá ele, Cavaco, seria diferente. A sua filosofia é sempre a mesma. E não houve pandemia, nem guerra da Ucrânia…
Quanto à Guerra da Ucrânia, continua, sem dar sinais de parar. Transformou-se numa guerra clássica de trincheiras, mas agora com armas mais mortíferas, até que a Rússia, ou a Ucrânia se esgotem. E, entretanto, a Europa esvai-se e tende para insignificância económica e política.
Mas, o fato político mais significativo foi a última reunião do Conselho de Estado. O Presidente tinha o discurso preparado e o Primeiro-Ministro não falou. E, este fato irritou solenemente grande parte dos conselheiros, preparados que estavam para crucificar o Primeiro-Ministro.
É que se assumem como membros do extinto Conselho da Revolução, com funções de controlar o governo e as suas políticas. Só falta graduá-los em almirantes e generais para o cenário estar completo.
O Conselho de Estado é um órgão de consulta do presidente da República, competindo-lhe pronunciar-se sobre um conjunto de atos da responsabilidade do Presidente. Deve igualmente aconselhá-lo, sempre que lhe seja solicitado. Quer dizer, não é um órgão de controlo do Primeiro-Ministro, nem tem funções de avaliar as políticas do governo.
O Primeiro-Ministro não falou, nem tinha de falar. Estava lá como qualquer outro conselheiro e não para ouvir reprimendas e sujeitar-se a ser enxovalhado.
Em suma, o Presidente da República tentou a jogada, ao pretender envolver os conselheiros nas críticas ao governo. Mas, como bom jogador que é, voltou rapidamente atrás. Todavia não perdoa e deve estar a preparar outra.
Voltando a Cavaco Silva, é de lembrar a sua frase lapidar “Deixem-me governar”.

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