Correio do Minho

Braga, sábado

A Revista Flor de Lis 93 anos depois

Mais uma vez, um novo ano escolar

Escreve quem sabe

2018-01-19 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Há 93 anos, em janeiro de 1925, o Corpo Nacional de Scouts, designação que antecedeu a de Corpo Nacional de Escutas, um sonho, iniciado em maio de 1924, terminava a sua gestação e haveria de ver a luz do dia em fevereiro de 1925.
Nesse mês, no número 6 da rua de São Geraldo, na cidade de Braga, sede da redação e da administração da nova publicação, o Dr. Avelino Gonçalves e os seus colaboradores andavam numa grande azáfama para que a Flor de Lis nascesse com um propósito de longevidade.
Quase dois anos depois de ter sido fundado o Corpo Nacional de Escutas, no mês de fevereiro, é então publicado o primeiro deste boletim oficial que teve como primeiro diretor, um dos ilustres fundadores dos Escuteiros Católicos, Monsenhor Avelino Gonçalves, que, no texto a que hoje chamaríamos o editorial, escreveu, marcando o rumo desta nova publicação:
«(...) Aparecendo hoje, A Flor de Lis saúda carinhosamente todos os scouts portugueses, oferece-lhes as suas páginas para arquivo das suaves alegrias, das boas acções e até dos sacrifícios da sua vida escutista e erguer com eles o primeiro «hurrah por S. Jorge».

Por sua parte «fará todo o possível» por se conservar sempre em condições de poder ser útil e agradável a todos; útil, expondo criteriosamente em secções próprias os grandes princípios do escutismo, isentos de qualquer mutilação, tais como saíram da mente do seu fundador, o imortal Baden-Powell; agradável, no seu aspecto gráfico, na sua redacção, na colaboração escolhida, para que a sua leitura sirva de alguma maneira a manter aquela «boa disposição de espírito» que a lei scout preceitua. (...)
Outro fim não tem em vista A Flor de Lis senão concorrer na medida do possível para o progresso do escutismo em Portugal e nomeadamente para o desenvolvimento do Corpo Nacional de Scouts de que fica sendo órgão.»
Ao celebrarmos o 93.º aniversário da revista do Escutismo Católico Português, não podemos esquecer estas sábias palavras e estas nobres intenções, sobretudo quando elas nos mostram o caminho então desejado. Hoje, podemos afirmar que determinaram o sentido para o caminho percorrido e que continuam a ser linhas orientadoras para o caminho a consolidar.
A Flor de Lis soube ser sempre útil e agradável e por isso contribuiu, de forma indelével, para o desenvolvimento do escutismo católico e para a afirmação do movimento escutista na sociedade portuguesa e na dos novos países irmãos na língua de Camões.

A Flor de Lis continua a consolidar uma vida ao serviço da informação e da animação do Corpo Nacional de Escutas, não por ser a mais antiga revista publicada, ininterruptamente, em Portugal, mas pela qualidade que soube e sabe cultivar e por assumir o verdadeiro espírito de serviço, definido por Monsenhor Avelino Gonçalves.
É tempo de saudar o trabalho desenvolvido pelos seus sucessivos diretores e respetivas equipas de redação que souberam transmitir e desenvolver esta missão de ser órgão do CNE, para o CNE e com o CNE. A tentação sempre foi grande e, aqui e ali, alguns não resistiram, mas a Flor de Lis soube sempre reencontrar-se com o espírito do seu fundador e do seu Escutismo Católico.
É tempo de afirmar que, olhando orgulhosamente para o passado e intensamente vivendo o presente, a Flor de Lis terá, entre os escuteiros católicos e a sociedade portuguesa, um futuro promissor, útil e agradável, pois continuará a ser aquele espelho onde todos nós, e cada um de nós, terá o arquivo das suas suaves alegrias, como queria o seu fundador e primeiro diretor.


Nota:
Na minha última crónica: O Livro da Selva e a Mensagem do Papa, há um erro na citação do documento do Papa Francisco, onde se lê: «Mensagem de Natal», deve ler-se: «Mensagem para a Celebração do 51º Dia Mundial da Paz».

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