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Braga, terça-feira

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A sociedade da informação desinformada

Opções muito discutíveis

A sociedade da informação desinformada

Escreve quem sabe

2019-03-23 às 06h00

Fernando Viana Fernando Viana

É frequente referenciar-se o mundo em que vivemos como a “sociedade da informação”, querendo com isto referir-se a um mundo em que o fluxo de informação é intenso e em permanente mudança e onde o conhecimento é um recurso flexível, fluído, sempre em expansão e em mudança. Um mundo desterritorializado, onde não existem barreiras de tempo e de espaço para que as pessoas comuniquem.
Terá sido o austríaco Peter Drucker o primeiro a teorizar sobre a existência de uma sociedade pós-industrial em que o poder da economia (cuja evolução passou da agricultura para a indústria e desta para os serviços) passou a estar assente num bem precioso: a informação.
A ideia subjacente ao conceito de sociedade da informação é a de uma sociedade inserida num processo de mudança constante, fruto dos avanços na ciência e na tecnologia. Tal como a imprensa revolucionou a forma como aprendemos, ao permitir a disseminação da leitura e da escrita nos materiais impressos, o despoletar das chamadas tecnologias da informação e comunicação (TIC) tornou possível novas formas de acesso e distribuição do conhecimento. Uma nova realidade que exige das pessoas competências e habilidades para lidar com a informatização do saber que tornou muito mais acessível, mais horizontal e menos seletiva, a produção e acesso ao conhecimento. É neste contexto que autores como Casttels, Levy ou Postman, entre outros, enunciam e fundamental o aparecimento desta nova “sociedade da informação”, também denominada por Alvin Toffler de terceira vaga.
O debate sobre esta sociedade da informação, que parece inquestionável divide-se em duas correntes: uma construída por pensadores como Marc Casttels, que acreditam que este novo modelo marca o surgimento de uma nova ordem social que tem como característica básica a circulação e modificação da informação a um nível nunca antes alcançado, significando uma rutura com o passado. Existe uma outra corrente que embora reconheça que a criação e disseminação da informação assuma hoje uma dimensão sem paralelo no passado, acredita porém que a sociedade atual é o resultado de um processo evolutivo e contínuo do devir social, sem rutura.
Tudo isto para afirmarmos que olhando à nossa volta, apercebemo-nos da impossibilidade prática das pessoas absorverem tanta informação, não apenas aquela que gravita à sua volta (veiculada pelos jornais, televisão, internet), mas mesmo a informação que é essencial à sua vida pessoal, laboral ou familiar, porquanto as quantidades de informação são massivas, impedindo as pessoas de acederem a informação vital para poderem decidir de forma conveniente aos seus interesses. Perante a necessidade de decidir em tempo útil, as pessoas acabam por ser forçadas a tomar decisões que vão ter consequências jurídicas sobre a sua vida (assinar um contrato de seguro por exemplo), sem ter plena informação e, o que é mais dramático, a terem que decidir ainda assim, com consciência da incerteza e das consequências que tal desconhecimento lhes trará.
Caso pretenda saber mais sobre este assunto, contacte o CIAB-TRIBUNAL ARBITRAL DE CONSUMO: em Braga, na R. D. Afonso Henriques, n.º 1 (Ed. da Junta de Freguesia da Sé) 4700-030 BRAGA * telefone: 253617604 * correio eletrónico: geral@ciab.pt ou em Viana do Castelo: Av. Rocha Páris, n.º 103 (Villa Rosa) 4900-394 VIANA DO CASTELO * telefone 258 809 335 * correio eletrónico: ciab.viana@cm-viana-castelo.pt, ou ainda diretamente numa das Câmaras Municipais da sua área de abrangência ou em www.ciab.pt.

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