Correio do Minho

Braga, terça-feira

- +

A Subida dos Jotas ao Poder

Vamos falar de voluntariado…

Ideias

2010-04-09 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

A vitória de Passos Coelho obriga a uma reflexão sobre o papel das juventudes partidárias no sistema político português.

Todos os partidos, por influência do partido comunista, nos também na sequência da ideologia do Estado Novo, o qual criou a mocidade portuguesa, destinada a agregar jovens apoiantes do regime, promoveram associações deste género. O movimento funcionou então como processo de indoutrinação. Entendiam os políticos do regime que desta forma se dava visibilidade à ideologia política, bem assim como se conseguia perdurar essa mesma ideologia, formando-se a elite política do futuro.

Também os partidos comunistas tinham a sua escola de quadros, destinada a formar os futuros dirigentes. Depois de Abril de 1974, os novos partidos políticos tornaram-se herdeiros destas duas concepções, criando as respectivas juventudes. Por exemplo, o PSD criou uma espécie de escola de quadros, a universidade de Verão, em que durante alguns dias diversas personalidades discursam sobre assuntos de actividade política. Deste modo, se formata a futura oligarquia partidária e se solidifica a fidelidade aos ideais do partido. Parte dos aderentes são recrutados nas estruturas académicas, potenciando, desta forma, a sua influência.

Mais tarde integram, como assessores, os gabinetes ministeriais, completando a sua formação , tendo vindo a ocupar, em muitos casos, cargos de Secretários de Estado ou vogais dos conselhos de administração de empresas públicas ou institutos políticos. Isto significa que a actividade política tem tendido a profissionalizar-se.

Será este fenómeno correcto? Tradicionalmente, entendia-se que actividade política significava entrega ao serviço público, incompatível com qualquer forma de profissionalismo. Este tipo de criaturas políticas foi sempre mal visto e identificado como pouco sério.

Numa análise crítica, publicada no jornal Expresso, sublinha-se que fundamentalmente se trata do “infantário” da política, sendo certo que o mais importante não é tanto a formação ideológica, mas sim de redes de contacto, de jogos de influência e de mexericos. Aquilo que interessa aos Jotas não é o quadro de referência para solucionar os problemas políticos, mas a circulação no seio do aparelho partidário.

Mas, claro que com esta gente, os partidos conseguem criaturas feitas a imagem e semelhança do chefe que cria assim um exército de incondicionais que repetem o discurso e o pensamento do líder. Ao mesmo tempo, servem para apelar ao voto dos mais jovens e, como são irreverentes, podem entrar em certos jogos sujos, sem que as direcções dos partidos se vejam directamente envolvidas.

Tenho dúvidas que seja um bom caminho para a democracia. E, sendo certo que as decisões políticas se tornaram cada vez mais complexas, duvido que estes gabinetes de generalistas sejam os profissionais adequados. Por isso, os gabinetes ministeriais recorrem cada vez mais aos consultores exteriores à Administração Pública, aumentando deste modo a despesa pública.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

10 Dezembro 2019

Regionalizarão?

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.