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A vitória do PS

Preso por ter cão... o Estanislau:

A vitória do PS

Ideias

2019-10-08 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

O Partido Socialista venceu as eleições legislativas, confirmando nas urnas aquilo que as sondagens há muito garantiam. Contudo, se considerarmos os resultados da governação socialista nos últimos quatro anos, não se pode dizer que a dimensão da vitória tenha correspondido aquilo que seria expectável.
Pelos vistos, os portugueses que se dignaram participar no acto cívico esqueceram rapidamente o papel desempenhado pelo PS, quer do ponto de vista do diálogo, que conduziu finalmente ao derrube de um muro ideológico que nunca ninguém tentou tombar, quer do ponto de vista da qualidade da própria governação. Ou seja, valores tão importantes como a estabilidade política, conseguida com as pontes à esquerda e também com o diálogo institucional com o Presidente da República, ou o rigor nas contas públicas acabaram por não ter o peso que seria expectável no resultado da votação do passado domingo.

Desse ponto de vista, a vitória do PS ficou claramente aquém daquilo que a governação de António Costa faria prever. E até nem estou a falar de uma maioria absoluta, tão falada no início da campanha eleitoral, mas cedo abandonada, quer por se saber da aversão dos portugueses a tal resultado, quer porque a evolução dos acontecimentos desaconselhou o anúncio desse objectivo.
É certo que as notícias e, nomeadamente, a acusação do Ministério Público no caso (ou novela?) de Tancos podem ter prejudicado eleitoralmente o PS. Ou seja, aparentemente, as trapalhadas que envolvem o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, tiveram mais “peso” na hora de decidir o voto do que o “trunfo” Mário Centeno e as suas contas certas. Se a isso, que já não é pouco, juntarmos outras “guerras” anteriores com diversas classes profissionais, teremos o caldo quase perfeito para inviabilizar qualquer hipótese de obtenção de maioria absoluta.

Creio, aliás, que todos nós conhecemos apoiantes de António Costa e/ou do PS que manifestaram reservas a tal resultado eleitoral, geralmente por receio do que poderia seguir-se, ou seja, por temor a uma governação autista e arrogante.
Como quer que seja, a verdade é que o PS desperdiçou uma excelente oportunidade, quiçá única, de obter a almejada maioria absoluta. Se a não conseguiu agora, depois de quatro anos de boa governação e com as contas públicas como já se não viam há muitos anos, e com a direita completamente despedaçada, dificilmente a poderá obter nos tempos mais próximos.

Vamos ver que solução governativa o país vai ter, sendo certo que nesta legislatura e face aos resultados eleitorais, António Costa terá certamente menores dificuldades para conseguir os apoios necessários.
Das eleições do passado domingo há ainda destaques que não quero deixar de sublinhar: por um lado, o aumento de formações políticas na Assembleia da República, com a eleição de representantes do Chega, do Iniciativa Liberal e do Livre e, por outro, o grande crescimento do PAN, que mais que duplicou a votação, elegendo quatro deputados. Finalmente, há que salientar também o colapso eleitoral do CDS o qual, nem por ser esperado, deixa de ser merecedor de referência e de alguma preocupação. Também aqui temos de aguardar o desenrolar dos acontecimentos para ver se o espaço onde o CDS se tem movimentado não passa a ser ocupado por extremistas da direita populista, um dos quais ganhou agora assento na Assembleia da República.

Finalmente, algumas palavras para falar de outro grande derrotado – Rui Rio. Apesar de o PSD ter tido o pior resultado de sempre, o líder do partido disse que afinal a derrota “não está nem perto de ser o desastre que se anunciou, ainda esta noite”. Rio, que disparou em todas as direcções, culpou comentadores, resultados de sondagens, a “conjuntura económica, que favoreceu o crescimento económico sem o governo ter de fazer grande coisa”, e “comparações injustas” com o período da troika. Isto é, para Rui Rio, o PSD teve menos votos mas não foi por culpa própria. Pensava eu que estas espécies já tinham sido extintas mas, afinal e como se comprova, ainda há políticos assim!

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